Alta da Selic Aumenta Endividamento e Preocupações com Inadimplência no Brasil

A recente alta da taxa Selic pelo Copom do Banco Central levou a taxa básica ao maior nível desde setembro de 2023. Especialistas alertam que essa elevação pode aumentar o endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras, tornando o crédito mais caro e restrito.

Por Redação gl - Economia
Atualizado em 01/02/2025 às 2:46 pm

A recente alta de juros anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) na quarta-feira (29) elevou a taxa Selic ao maior nível desde setembro de 2023, acendendo uma luz amarela sobre o endividamento no país.

Especialistas apontam que essa elevação, juntamente com a possibilidade de novos aumentos, deve tornar o crédito mais caro e restrito, aumentando a perspectiva de crescimento das taxas de inadimplência.

Impacto Econômico

Esse cenário ocorre após um período favorável para a economia. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, até os três meses encerrados em setembro de 2024, o país registrou uma sequência de 13 trimestres positivos no Produto Interno Bruto (PIB), refletindo o aumento do consumo das famílias impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido.

No entanto, Merula Borges, especialista em finanças da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), alerta que esse cenário tende a mudar.

“A inflação tem sido persistente, o que faz com que as famílias acabem precisando usar uma parte maior do orçamento para despesas básicas, sobrando menos espaço para o consumo. Isso, somado ao aumento de juros, também impacta a capacidade de pagamento de dívidas”, explica Borges.

Controle da Inflação

Os juros são uma ferramenta usada pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros sobem, o consumo das famílias tende a diminuir, o que ajuda a reduzir a inflação. Por isso, a última alta das taxas anunciada pelo Copom já era amplamente esperada pelo mercado.

Além de uma atividade econômica ainda forte, há grande incerteza sobre o futuro das contas públicas do país, o que também influencia as expectativas de inflação.

Endividamento das Famílias

Fernando Lamounier, educador financeiro e sócio da Multimarcas Consórcios, destaca que a nova alta da Selic pode aumentar o endividamento das famílias e comprometer sua capacidade de pagamento.

“Quando a taxa de juros sobe, as parcelas tendem a aumentar e muitos brasileiros podem ter dificuldades em manter seus pagamentos em dia. Isso leva a um aumento da inadimplência, dificultando ainda mais o acesso ao crédito e comprometendo a recuperação econômica das famílias”, afirma Lamounier.

Apesar de a concessão de crédito ter crescido nos últimos meses e da inadimplência não ter aumentado significativamente, a expectativa é que este ano seja “mais difícil”, com crédito mais caro e restrito para o consumidor final.

Caio Macedo, vice-presidente de estratégia e marketing da Equifax Boa Vista, explica que, quando a taxa básica aumenta, as instituições financeiras têm duas opções: emprestar menos ou emprestar no mesmo nível, mas correndo um risco maior de inadimplência.

Preparação para a Alta de Juros

Especialistas recomendam que os consumidores revisem seus orçamentos e contratos de crédito neste momento. De acordo com Macedo, se o crédito tomado for ajustado pelos juros (pós-fixado), é importante entender como a nova alta da Selic pode afetar as parcelas pagas pelo consumidor.

“É preciso fazer a conta. Colocar no papel o quanto você ganha, qual a sua renda disponível e fazer uma projeção de quanto ficará a parcela. Se a taxa de juros é variável no seu contrato de crédito, isso pode aumentar o custo do que você paga”, explica Macedo.

A mesma dica vale para famílias que tiveram uma redução na renda familiar, como pela perda de um emprego. “Se houve alguma perda na renda, esse também pode ser um bom momento para ir ao banco, explicar a situação e buscar formas de honrar seu compromisso”, completa.

Borges, da CNDL, reforça a necessidade de fazer um acordo que seja condizente com a realidade de pagamento.

“Se conseguir evitar entrar em dívida por enquanto, pode ser a melhor escolha. Mas, se precisar fazer um acordo, é preciso organizar as finanças. Principalmente porque a maioria dos acordos não cumpridos acontece porque o consumidor compromete o dinheiro que serviria para pagar contas básicas”, afirma Borges.

“Então, é importante fazer acordos realizáveis, mesmo que isso custe um tempo maior de negativação e sem consumo”, complementa.

Responsabilidade Fiscal

O presidente Lula mencionou recentemente o déficit primário de 0,1% em 2024 e destacou a “responsabilidade fiscal” do governo.

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