Alta no Preço do Ovo: Como Clima e Custos Afetam o Consumo e a Oferta no Brasil

O preço dos ovos subiu 19,44% em março devido ao aumento dos custos de produção e à alta demanda durante a Quaresma. Embora os produtores esperem estabilização após esse período, especialistas alertam que os preços das carnes podem manter os ovos inflacionados.

Por Redação gl - Agropecuária
Atualizado em 27/03/2025 às 4:11 pm

Preço do Ovo Sobe Quase 20% em Março, Impulsionado por Custo de Produção e Demanda Alta

Os preços dos ovos registraram um aumento de 19,44% em março em comparação a fevereiro, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do ano, a alta já chega a 25,88%, refletindo o impacto de fatores como o aumento do custo de insumos, o clima e a elevação na demanda durante a Quaresma.

Fatores por Trás do Aumento

Especialistas apontam que a alta no custo do milho, principal componente da alimentação das galinhas, foi um dos principais motivos para o encarecimento dos ovos. Segundo dados do Instituto Ovos Brasil (IOB), o preço do milho subiu 30% desde julho de 2024, impactando diretamente os custos de produção. Além disso, o calor intenso tem afetado a produtividade das aves, enquanto o custo com embalagens também aumentou mais de 100% nos últimos oito meses, conforme informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, também teve um papel importante. Durante esse período, muitos consumidores substituem a carne vermelha por proteínas mais acessíveis, como os ovos, o que intensifica a demanda. Entretanto, Tabatha Lacerda, diretora administrativa do IOB, destacou que o aumento de preço veio antes do esperado, surpreendendo o setor.

Expectativas para os Preços

Os produtores esperam que os preços se estabilizem após a Quaresma. Contudo, o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, alerta que a normalização dependerá do comportamento dos preços das carnes bovina, de frango e suína. “Se essas proteínas continuarem com preços elevados, o mercado de ovos permanecerá pressionado”, afirma.

Além disso, a menor produção de carne bovina esperada para este ano pode manter a alta demanda pelos ovos, mesmo após o período da Quaresma. Isso reforça que, embora o ritmo de alta possa desacelerar, reduções significativas nos preços são improváveis no curto prazo.

Consumo Per Capita em Alta

O consumo de ovos no Brasil tem crescido significativamente nos últimos anos, consolidando-se como uma proteína essencial na dieta da população. Em 2023, o consumo médio foi de 242 unidades per capita, subindo para 269 unidades em 2024. A expectativa para 2025 é de atingir 272 unidades por pessoa, segundo o IOB.

Impacto das Exportações

Embora as exportações brasileiras de ovos tenham aumentado devido à gripe aviária nos EUA, a ABPA afirma que a influência desse fator nos preços internos ainda é mínima. As exportações representam menos de 1% das 59 bilhões de unidades previstas para produção este ano, o que significa que o mercado interno continua sendo o principal destino da produção.

Com uma combinação de custos elevados, demanda crescente e fatores climáticos adversos, o preço do ovo deve permanecer alto nos próximos meses, exigindo monitoramento constante do mercado por produtores e consumidores.

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