Bolsonaro Responde à Denúncia da PGR e Afirma ter ‘Consciência Tranquila’
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) classificou como “narrativa” a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra ele e outras 33 pessoas por tentativa de golpe de Estado. Em sua primeira declaração pública após a denúncia, Bolsonaro afirmou estar com a “consciência tranquila”.
Denúncia e Acusações
A denúncia da PGR foi apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana, acusando Bolsonaro de liderar uma organização criminosa que praticou atos contra a democracia e tinha um “projeto autoritário de poder”. Entre os crimes citados estão:
- Liderança de organização criminosa armada
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
- Golpe de Estado
- Dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União
- Deterioração de patrimônio tombado
Resposta de Bolsonaro
Durante um evento para filiados do PL, Bolsonaro minimizou as acusações, afirmando que as narrativas contra ele “foram por água abaixo”. Ele ironizou a denúncia, referindo-se ao caso como um “golpe da Disney”, em alusão à sua viagem aos Estados Unidos após deixar o cargo. “Eu estava lá [nos Estados Unidos] com o Pato Donald e o Mickey e tentei dar o golpe no dia 8 de janeiro aqui”, declarou Bolsonaro.
Bolsonaro também ironizou sua possível prisão, afirmando: “O tempo todo [falam]: ‘Vamos prender o Bolsonaro’. Caguei para prisão!”.
Possível Inelegibilidade e Apoio Político
Ao longo de seu discurso, Bolsonaro se apresentou como pré-candidato à Presidência da República em 2026, apesar de estar inelegível até 2030 devido a condenações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele pediu apoio aos correligionários para obter 50% dos deputados e senadores eleitos em 2026, afirmando que poderia “mudar o destino do Brasil” com essa bancada.
Anistia a Condenados
Bolsonaro reafirmou que sua prioridade é aprovar um projeto no Congresso que perdoe as condenações de vândalos envolvidos nas depredações às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. O evento em Brasília contou com a presença de participantes que afirmaram ter sido presos durante os atos.
O projeto de anistia, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, visa perdoar todos os envolvidos em “manifestações” com motivação política e eleitoral entre 8 de janeiro de 2023 e a data de entrada em vigor da lei. No entanto, a última versão do relatório da proposta não anistia crimes como depredação de patrimônios públicos e históricos.
O STF deverá decidir se acolhe ou rejeita a denúncia da PGR. Se aceita, Bolsonaro se tornará réu e responderá a um processo penal que poderá resultar em penas de até 40 anos de prisão.
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