Café pode ficar até 25% mais caro nos próximos meses: entenda os motivos

O preço do café, que tem subido desde maio do ano passado, pode aumentar ainda mais nos próximos dois meses, atingindo uma elevação de até 25%. A alta é impulsionada pela seca e altas temperaturas, além do aumento nos custos logísticos e na demanda internacional. Com o clima adverso e uma safra estimada em 51,8 milhões de sacas para 2025, o mercado interno enfrenta desafios, refletindo no consumo per capita. Especialistas esperam que a oferta aumente e os preços melhorem no segundo semestre, com perspectivas de uma safra recorde em 2026.

Por Redação gl - Agropecuária
Atualizado em 06/02/2025 às 3:21 pm

Café Pode Ficar Até 25% Mais Caro nos Próximos Meses

O preço do café, que tem subido desde maio do ano passado, deve aumentar ainda mais nos próximos dois meses. A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) estima que o valor do produto nos supermercados possa subir até 25%.

O café já é o item mais caro da cesta básica, com um aumento de 37,4% em 2024 em comparação ao ano anterior, segundo a Abic. O incremento no preço da bebida foi superior ao de outros produtos no período, como leite (+18,4%), arroz (+15%) e óleo de soja (+26,6%), de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA), citado pela Abic.

Em dezembro, um pacote de 1 kg de café tradicional podia ser comprado por R$ 48,90. Pavel Cardoso, presidente da Abic, explica que a indústria ainda não repassou ao consumidor todo o custo da matéria-prima, que aumentou 116,7% em 2024 em relação a 2023. Ele espera que os preços possam melhorar no segundo semestre.

A seca e as altas temperaturas no ano passado prejudicaram a produção de café, sendo os principais fatores para o aumento dos preços. Além disso, o dólar alto frente ao real e o maior custo de logística também influenciaram no encarecimento do produto.

Redução do Consumo de Café

Embora a quantidade de café comercializada no Brasil tenha aumentado 1,1%, o consumo per capita caiu 2,22%, refletindo o cuidado dos consumidores em não desperdiçar a bebida devido ao preço elevado. Quem costumava encher a garrafa de café agora calcula a quantidade exata a ser consumida.

Aproximadamente 40% do café colhido no Brasil foi destinado ao mercado interno em 2024, e o brasileiro bebe, em média, 1.430 xícaras por ano.

Motivos do Aumento do Preço do Café

Clima adverso: No ano passado, o calor e a seca causaram estresse nas plantas, levando-as a abortar os frutos para sobreviver. Problemas como geadas e ondas de calor vêm ocorrendo nos últimos quatro anos, resultando em um aumento de custos de 224% com matéria-prima para a indústria e um aumento de 110% no preço do café para os consumidores.

Maior custo de logística: Conflitos no Oriente Médio elevaram os custos de embarque do café nas vendas internacionais, além de encarecer o preço dos contêineres, principal meio de exportação.

Aumento do consumo: O café é a segunda bebida mais consumida no Brasil e no mundo, ficando atrás apenas da água. Os produtores brasileiros têm expandido para novos mercados internacionais, influenciando a oferta da bebida internamente. A China, por exemplo, se tornou um novo mercado significativo para o café brasileiro, subindo de 20ª para 6ª posição entre os principais importadores de café do Brasil desde 2023.

Previsões para o Futuro

O preço do café deve permanecer alto ao longo do ano. A safra de 2025 está estimada em 51,8 milhões de sacas, um aumento de 4,4% em relação à safra anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Somente em setembro, com o fim da colheita da safra atual, será possível avaliar uma possível redução nos preços.

Cardoso acredita que, com condições climáticas estáveis, há expectativa de uma safra recorde em 2026, o que poderia impactar positivamente os valores nos supermercados. O investimento dos agricultores e da indústria na produção, impulsionado pelos altos ganhos, também deve ajudar na colheita do próximo ano.

Algumas empresas estão estudando novas embalagens com variação no peso do produto para oferecer uma variedade de preços, informou Cardoso.

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