Crise nas Estatais: Déficit de R$ 6,7 Bilhões É o Maior em 23 Anos

As estatais federais brasileiras registraram um déficit recorde de R$ 6,7 bilhões em 2024, impulsionado principalmente pelos Correios e grandes investimentos. O governo busca estratégias para reverter o quadro e tornar as empresas lucrativas novamente.

Por Redação gl - Economia
Atualizado em 02/02/2025 às 1:45 pm

Déficit das Estatais Federais Atinge R$ 6,7 Bilhões em 2024

O Banco Central divulgou nesta sexta-feira (31) que as empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 6,7 bilhões em 2024. Este valor representa o maior rombo desde o início da série histórica, em dezembro de 2001.

Em 2023, o déficit foi de R$ 656 milhões, mostrando um aumento significativo no ano seguinte. Até então, o maior déficit havia sido registrado em 2014, com um saldo negativo de R$ 2 bilhões. O maior superávit foi apurado em 2019, no valor de R$ 10,3 bilhões.

Empresas Consideradas no Cálculo

O resultado das estatais federais calculado pelo Banco Central inclui empresas como Correios, Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea. Não entram no cálculo a Petrobras e os bancos federais.

De acordo com o governo, os déficits registrados são, em grande parte, decorrentes dos investimentos realizados pelas companhias, pagos com recursos em caixa. “Essas 20 empresas aumentaram em 12,5% seus investimentos em 2024 na comparação com 2023. O valor somou R$ 5,3 bilhões e representa 83% do déficit de R$ 6,3 bilhões aferido no ano”, informou o Ministério da Gestão.

Correios e Outras Estatais em Destaque

O Ministério da Gestão informou que os Correios são uma das principais razões para o aumento do déficit das estatais em 2024, registrando um rombo de R$ 3,2 bilhões. Os Correios possuem monopólio em serviços como o recebimento, transporte e entrega de cartões-postais e correspondência, além da fabricação de selos.

Elisa Leonel, secretária de Coordenação e Governança das Empresas Estatais do MGI, afirmou que os Correios deixaram de investir, encerraram contratos e perderam receita ao serem incluídos no Plano Nacional de Desestatização, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Leonel descarta uma nova inclusão da estatal no programa de privatizações e uma eventual quebra do monopólio postal no Brasil.

Outras estatais que preocupam o governo são a Infraero, que administra aeroportos, e a Casa da Moeda.

Reunião com Lula

Nesta sexta-feira (31), o presidente dos Correios, Fabiano Silva, explicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) os motivos do déficit da empresa e as estratégias para torná-la lucrativa. A ministra da Gestão, Esther Dweck, participou da reunião no Palácio do Planalto.

Silva afirmou que Lula cobrou um plano de reestruturação dos Correios, que já está em andamento e passará por ajustes. O executivo da estatal creditou o déficit à falta de investimentos da gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022).

“Quando uma empresa é sucateada como ele foi para ser vendida, a gente tem um trabalho grande para recuperar essa empresa. É isso que está sendo feito. A gente está trabalhando muito para que o Correios para ser lucrativo ainda em 2025”, disse Silva.

Silva lembrou que os Correios não recebem aportes do Tesouro Nacional e relatou que nos últimos anos reduziu despesas, refez licitações e buscou novas receitas com a ideia de tornar a estatal uma empresa de logística.

Desempenho dos Correios

Em nota, os Correios disseram que o desempenho de 2024 foi impactado por uma série de fatores, como queda de receitas no segmento postal, a entrada em vigor do Remessa Conforme (programa que regularizou as compras em sites internacionais), e investimentos feitos pela estatal.

“A atual gestão está executando um plano de recuperação robusto com foco em inovação, sustentabilidade financeira, modernização operacional, inclusão social e entrada em novos mercados: Banco Digital, Marketplace, seguros, conectividade, logística para saúde”, informou a empresa.

Os Correios afirmaram ainda que “os desafios para 2025 incluem a reversão do resultado deficitário”.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *