Delação de Mauro Cid: Flávio Contra o Golpe e Eduardo a Favor, Revela Divisão na Família Bolsonaro

A delação premiada de Mauro Cid revelou divergências entre os filhos de Jair Bolsonaro sobre a reação após a derrota eleitoral de 2022. Enquanto Flávio Bolsonaro se posicionou contra um golpe de Estado, Eduardo Bolsonaro apoiava a medida. A ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro, também foi mencionada como parte do grupo pró-golpe. O sigilo da delação foi derrubado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Por Redação gl - Política
Atualizado em 19/02/2025 às 4:43 pm

Delação de Mauro Cid Revela Divergências entre Filhos de Bolsonaro sobre Golpe de Estado

A delação premiada do tenente-coronel Mauro Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, revelou que os filhos do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), divergiam quanto à reação de Bolsonaro após a derrota nas eleições de 2022. Flávio era contrário à ideia de um golpe de Estado, enquanto Eduardo apoiava a medida.

Grupos de Influência

De acordo com a delação, Flávio integrava um grupo conservador que defendia aceitar o resultado das eleições e posicionar Bolsonaro como líder da oposição. Esse grupo acreditava que a melhor estratégia seria orientar o povo a voltar para casa e consolidar Bolsonaro como uma grande liderança oposicionista.

“[Mauro Cid diz] que tinha um grupo bem conservador, de linha bem política; que [o grupo] aconselhava o presidente [Bolsonaro] a mandar o povo para casa e a colocar-se como um grande líder da oposição; que diziam que o povo só queria um direcionamento; que para onde o presidente mandasse, o povo iria”, indica a delação.

Por outro lado, um grupo denominado “radical” se dividia em duas alas: a “menos radical”, que buscava evidências de fraude nas urnas eletrônicas, e a “mais radical”, que apoiava um golpe de Estado por meio de um decreto. Eduardo Bolsonaro estaria entre os mais radicais, segundo o delator. Este grupo acreditava que Bolsonaro teria apoio popular e de CACs (Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores) caso decidisse se manter no poder.

Participação de Michelle Bolsonaro

A delação também revelou que a ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro, fazia parte do grupo pró-golpe, compartilhando da visão de que a ordem de Bolsonaro seria seguida pelo povo e pelos CACs.

Detalhamento dos Grupos

Conservadores

  • Senador Flávio Bolsonaro
  • AGU Bruno Bianco
  • Ciro Nogueira (então Ministro da Casa Civil)
  • Brigadeiro Batista Júnior (então Comandante da Aeronáutica)
  • Grupo aconselhava Bolsonaro a se colocar como um grande líder da oposição e mandar o povo que estava nos quartéis para casa.

Moderados

Ala dos moderados, que acreditava em abusos jurídicos, mas entendia que nada poderia ser feito diante do resultado das eleições. Este grupo se subdividia em dois:

  • General Freire Gomes (Comandante do Exército)
  • General Arruda (Chefe do DEC – Departamento de Engenharia e Construção)
  • General Teófilo (Comando de Operações Terrestres)
  • General Paulo Sérgio (então Ministro da Defesa)

Outro grupo de moderados acreditava que Bolsonaro deveria sair do país. Faziam parte:

  • Paulo Junqueira – empresário do agronegócio que financiou a viagem de Bolsonaro para os EUA
  • Naban Garcia
  • Senador Magno Malta (que também transitava no grupo mais radical, mas acreditava que Bolsonaro deveria deixar o país)

Radicais

Ala radical dividida em dois grupos. O primeiro, “menos radicais”, buscava encontrar uma fraude nas urnas e estava sob pressão de Bolsonaro. Incluía:

  • General Pazzuelo
  • Valdemar Costa Neto (presidente do PL)
  • Major Denicole
  • Senador Heinz

A ala mais radical apoiava o golpe de Estado e incentivava a assinatura de um decreto por Bolsonaro. Incluía:

  • Felipe Martins
  • Onyx Lorenzoni
  • Senador Jorge Seiff
  • Gilson Machado
  • Senador Magno Malta
  • Deputado Eduardo Bolsonaro
  • General Mario Fernandes
  • Michelle Bolsonaro

O sigilo da delação foi derrubado pelo ministro Alexandre de Moraes um dia após a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciar Jair Bolsonaro e outros 33 indivíduos por tentativa de golpe de Estado.

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