Delação de Mauro Cid: US$ 78 Mil Repassados a Bolsonaro Após Venda de Joias nos EUA

A delação do tenente-coronel Mauro Cid indica que ele e seu pai, o general Lourena Cid, repassaram US$ 78 mil a Jair Bolsonaro após a venda de joias nos Estados Unidos. Os repasses, feitos entre 2022 e 2023, estão sendo investigados no âmbito do inquérito das joias, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Por Redação gl - Política
Atualizado em 19/02/2025 às 3:55 pm

Delação de Mauro Cid Indica Repasse de US$ 78 Mil a Bolsonaro Após Venda de Joias

De acordo com a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ele e seu pai, o general Lourena Cid, repassaram US$ 78 mil (R$ 445 mil na cotação atual) ao ex-presidente Jair Bolsonaro entre 2022 e 2023 após a venda de joias nos Estados Unidos. Os valores foram transferidos diretamente ou indiretamente para Bolsonaro em quatro ocasiões distintas:

  • US$ 18 mil (R$ 103 mil) por Mauro Cid no Brasil, em junho de 2022;
  • US$ 30 mil (R$ 171 mil) por Lourena Cid em Nova York, em setembro de 2022;
  • US$ 10 mil (R$ 57 mil) por Lourena Cid no Brasil, no final de 2022;
  • US$ 20 mil (R$ 114 mil) por Lourena Cid em Miami, em fevereiro de 2023.

Origem do Dinheiro

Os valores foram obtidos com a venda de joias recebidas por Bolsonaro enquanto presidente. No primeiro caso, Mauro Cid viajou aos Estados Unidos para negociar parte das joias e retirou do valor final os gastos com passagens e aluguel de automóvel. Cid afirmou que entregou o montante a Bolsonaro após a venda.

Contexto do Inquérito

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi indiciado em julho de 2024 no inquérito das joias, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é suspeito de cometer crimes de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Bolsonaro sempre negou as acusações.

Investigação e Desdobramentos

O inquérito foi aberto pela Polícia Federal em março de 2023, após a apreensão de um kit de joias dado pela Arábia Saudita ao governo Bolsonaro no Aeroporto de Guarulhos, que não havia sido declarado como presente de estado nem teve os impostos pagos. As joias de luxo foram avaliadas em R$ 5,1 milhões.

Além de Bolsonaro, outras 11 pessoas foram indiciadas no caso, incluindo ex-ministros, assessores e advogados. Todos são acusados de associação criminosa, e alguns enfrentam acusações adicionais de peculato e lavagem de dinheiro.

Principais Indiciados

  • Bento Albuquerque, ex-ministro de Minas e Energia (peculato e associação criminosa);
  • José Roberto Bueno Júnior, ex-chefe de gabinete do Ministério de Minas e Energia (peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro);
  • Julio César Vieira Gomes, ex-secretário da Receita (peculato, associação criminosa, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa);
  • Marcelo da Silva Vieira, chefe do gabinete de Documentação Histórica da Presidência (peculato e associação criminosa);
  • Marcelo Costa Câmara, ex-assessor de Bolsonaro (lavagem de dinheiro);
  • Marcos André dos Santos Soeiro, ex-assessor de Bento Albuquerque (peculato e associação criminosa);
  • Mauro Cesar Barbosa Cid, tenente-coronel do Exército (peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro);
  • Fabio Wajngarten, advogado de Bolsonaro (lavagem de dinheiro e associação criminosa);
  • Frederick Wassef, advogado do ex-presidente (lavagem de dinheiro e associação criminosa);
  • Mauro Cesar Lourena Cid, general da reserva do Exército (lavagem de dinheiro e associação criminosa);
  • Osmar Crivelatti, assessor de Bolsonaro (lavagem de dinheiro e associação criminosa).

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