Diferenças de Salários no Brasil: Estudo do IBGE Mostra Desigualdade Entre Regiões

O rendimento médio mensal dos trabalhadores brasileiros foi de aproximadamente R$ 3.225 em 2024, um aumento de 3,7% em relação ao ano anterior. No entanto, essa média nacional esconde disparidades regionais significativas. Enquanto São Paulo tem um rendimento médio de R$ 3.907, os trabalhadores do Maranhão recebem, em média, R$ 2.049, o menor valor do país. Especialistas destacam a influência da informalidade e da estrutura econômica regional nas diferenças salariais.

Por Redação gl - Economia
Atualizado em 21/02/2025 às 3:31 pm

Disparidades Salariais no Brasil: Rendimento em São Paulo é Quase o Dobro do Maranhão, Segundo IBGE

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, realizada pelo IBGE, o rendimento médio mensal dos trabalhadores brasileiros foi de aproximadamente R$ 3.225 em 2024. Esse valor representa um aumento de 3,7% em relação a 2023 e um crescimento de 10,1% desde 2012, quando os dados começaram a ser calculados. No entanto, essa média nacional não reflete as disparidades regionais significativas observadas no país.

Disparidades Regionais

No Amazonas e em Roraima, por exemplo, os rendimentos dos trabalhadores diminuíram de 2023 para 2024, enquanto em 13 estados os valores alcançaram os maiores patamares da série histórica. Entre esses estados estão Rondônia, Tocantins, Maranhão, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e todos os estados do Sul e Centro-Oeste.

Apesar do crescimento, os trabalhadores do Maranhão continuam a ter os menores rendimentos do país, com uma média de R$ 2.049. Esse valor é pouco mais da metade do rendimento médio observado em São Paulo, que foi de R$ 3.907, sendo superado apenas pelo Distrito Federal, onde os rendimentos são impulsionados pelo setor público.

Fatores Influenciadores

Segundo o economista Rodolpho Tobler, do FGV IBRE, os baixos rendimentos nas regiões Norte e Nordeste podem ser parcialmente explicados pelo alto índice de informalidade no mercado de trabalho. Em 2024, sete estados brasileiros registraram taxas de informalidade acima de 50%, incluindo Pará, Piauí, Maranhão, Ceará, Amazonas, Bahia e Paraíba. Trabalhos informais geralmente estão associados a salários menores.

Além disso, a estrutura econômica dessas regiões, que é mais centrada em serviços e menos industrializada, também contribui para os rendimentos mais baixos. “Regiões com maior presença industrial geralmente oferecem salários mais elevados”, explica Tobler.

No Distrito Federal, os altos rendimentos são atribuídos ao trabalho no setor público, que concentra muitos empregos de alta escolaridade, ligados ao governo federal, ministérios e estatais. Esse contexto eleva significativamente a média salarial da região.

Desenvolvimento de Políticas Públicas

Tobler ressalta que as médias nacionais de rendimento, desemprego e ocupação, apesar de importantes para o mapeamento do mercado de trabalho, não refletem a realidade de todas as regiões do Brasil. Ele destaca a necessidade de desenvolver políticas públicas com um “olhar regional” para abordar as desigualdades de forma mais eficaz. “Considerando que o Brasil é um país de tamanho continental, tem muita desigualdade. E nem sempre uma política pública pensada no nível nacional funciona no nível regional”, conclui.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *