Dólar Opera em Alta com Cenário Geopolítico e Produção Industrial no Brasil no Radar; Ibovespa Cai
Nesta quarta-feira (5), o dólar registrou alta, impulsionado pelas preocupações geopolíticas globais após o presidente dos EUA, Donald Trump, sugerir que os Estados Unidos assumam o controle da Faixa de Gaza. Por volta das 10h, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,79.
Incertezas geopolíticas frequentemente favorecem o dólar em relação a outras moedas, uma vez que é considerada a moeda mais segura do mundo, atuando como um “refúgio” para investidores em tempos de maior cautela.
Cenário Econômico Interno
No Brasil, o mercado também reagiu à divulgação dos dados de produção industrial pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A indústria nacional apresentou um recuo de 0,3% em dezembro, marcando o terceiro mês consecutivo de quedas. No entanto, a produção industrial acumulou uma alta de 3,1% em 2024, indicando que a economia brasileira segue aquecida.
Esse resultado positivo é interpretado pelo mercado financeiro como um sinal de que a inflação pode continuar a acelerar nos próximos meses. Uma economia resiliente gera demanda por bens e serviços, o que mantém os preços elevados.
Comentários do Presidente Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre a inflação no país, afirmando que se reunirá com representantes do setor de alimentos para buscar soluções para o aumento dos preços. As declarações de Lula também influenciaram o mercado.
Resumo dos Mercados
Dólar
Às 11h40, o dólar registrava alta de 0,57%, sendo cotado a R$ 5,8043. No dia anterior, a moeda norte-americana havia fechado em queda de 0,76%, a R$ 5,7712.
- Queda de 1,13% na semana e no mês;
- Recuo de 6,61% no ano.
Ibovespa
No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, apresentava queda de 0,28%, aos 124.795 pontos. Na véspera, o índice havia fechado em queda de 0,65%, aos 125.147 pontos.
- Queda de 0,78% na semana e no mês;
- Ganho de 4,04% no ano.
Fatores que Movimentam os Mercados
As atenções desta quarta-feira se voltaram novamente para Donald Trump. O presidente americano declarou na terça-feira (4) que os EUA “assumirão o controle” da Faixa de Gaza e sugeriu que os palestinos residentes na região sejam realocados. As declarações foram feitas ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Mais cedo, Trump já havia afirmado que a única alternativa para os palestinos seria deixar o território, uma ideia apoiada pela extrema direita israelense, considerada como limpeza étnica pelo direito internacional, segundo analistas. As declarações geraram reações negativas globais, com líderes de países europeus, árabes, Rússia, ONU e até políticos dos EUA condenando as afirmações e defendendo o direito dos palestinos de permanecer em sua terra.
Os comentários reacenderam temores de uma guerra generalizada no Oriente Médio, o que, além da catástrofe humanitária, também poderia gerar problemas econômicos, dado o papel crucial da região na produção e distribuição de petróleo.
No cenário internacional, o cenário de juros nos EUA continua repercutindo. O vice-presidente do Federal Reserve (Fed), Philip Jefferson, afirmou que a instituição deve ser cautelosa ao ajustar suas taxas de juros em meio a um ambiente econômico e político incerto. Essa postura foi apoiada pela presidente do Fed de Boston, Susan Collins, que mencionou a falta de urgência para reduzir os juros no momento, especialmente diante de novas tarifas comerciais anunciadas pelo governo Trump.
Juros elevados nos EUA aumentam a atratividade dos títulos públicos do país, considerados os mais seguros do mundo, atraindo investidores em períodos de incerteza. Isso pode reduzir a competitividade de países como o Brasil, que também busca atrair investimentos com juros altos, valorizando o dólar em detrimento de outras moedas.
No Brasil, a expectativa é de juros elevados por um período prolongado. Na última terça-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou a ata da reunião da semana passada, que resultou em um aumento da taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto percentual.
No documento, o comitê afirmou que as expectativas de inflação aumentaram significativamente nos últimos meses, tanto para o curto quanto para o longo prazo, com projeções indicando inflação acima da meta pelos próximos seis meses consecutivos. A partir de 2025, com o início do sistema de meta contínua, a meta de inflação é de 3%, sendo considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Com esses fatores em mente, a instituição já sinalizou um novo aumento de 1 ponto percentual na próxima reunião, o que deve elevar a taxa Selic para 14,25% ao ano. Outras altas são esperadas, com projeções de juros a 15% ao ano até o fim de 2025.
Os dados de produção industrial reforçam que a atividade econômica brasileira segue resiliente, mesmo com uma desaceleração nos últimos meses, mantendo as expectativas de inflação elevadas.
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