Dólar em alta e Ibovespa em queda: impacto das tensões geopolíticas e dados industriais no Brasil

O dólar operou em alta nesta quarta-feira (5), influenciado pelas tensões geopolíticas globais após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Faixa de Gaza. Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro repercutiu os dados de produção industrial, que recuou 0,3% em dezembro, mas acumulou alta de 3,1% em 2024. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou queda de 0,28%, com investidores atentos ao cenário internacional e aos comentários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a inflação no país. Enquanto isso, o Banco Central projeta novos aumentos na taxa Selic para conter a inflação elevada.

Por Redação gl - Economia
Atualizado em 05/02/2025 às 3:06 pm

Dólar Opera em Alta com Cenário Geopolítico e Produção Industrial no Brasil no Radar; Ibovespa Cai

Nesta quarta-feira (5), o dólar registrou alta, impulsionado pelas preocupações geopolíticas globais após o presidente dos EUA, Donald Trump, sugerir que os Estados Unidos assumam o controle da Faixa de Gaza. Por volta das 10h, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,79.

Incertezas geopolíticas frequentemente favorecem o dólar em relação a outras moedas, uma vez que é considerada a moeda mais segura do mundo, atuando como um “refúgio” para investidores em tempos de maior cautela.

Cenário Econômico Interno

No Brasil, o mercado também reagiu à divulgação dos dados de produção industrial pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A indústria nacional apresentou um recuo de 0,3% em dezembro, marcando o terceiro mês consecutivo de quedas. No entanto, a produção industrial acumulou uma alta de 3,1% em 2024, indicando que a economia brasileira segue aquecida.

Esse resultado positivo é interpretado pelo mercado financeiro como um sinal de que a inflação pode continuar a acelerar nos próximos meses. Uma economia resiliente gera demanda por bens e serviços, o que mantém os preços elevados.

Comentários do Presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre a inflação no país, afirmando que se reunirá com representantes do setor de alimentos para buscar soluções para o aumento dos preços. As declarações de Lula também influenciaram o mercado.

Resumo dos Mercados

Dólar

Às 11h40, o dólar registrava alta de 0,57%, sendo cotado a R$ 5,8043. No dia anterior, a moeda norte-americana havia fechado em queda de 0,76%, a R$ 5,7712.

  • Queda de 1,13% na semana e no mês;
  • Recuo de 6,61% no ano.

Ibovespa

No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, apresentava queda de 0,28%, aos 124.795 pontos. Na véspera, o índice havia fechado em queda de 0,65%, aos 125.147 pontos.

  • Queda de 0,78% na semana e no mês;
  • Ganho de 4,04% no ano.

Fatores que Movimentam os Mercados

As atenções desta quarta-feira se voltaram novamente para Donald Trump. O presidente americano declarou na terça-feira (4) que os EUA “assumirão o controle” da Faixa de Gaza e sugeriu que os palestinos residentes na região sejam realocados. As declarações foram feitas ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Mais cedo, Trump já havia afirmado que a única alternativa para os palestinos seria deixar o território, uma ideia apoiada pela extrema direita israelense, considerada como limpeza étnica pelo direito internacional, segundo analistas. As declarações geraram reações negativas globais, com líderes de países europeus, árabes, Rússia, ONU e até políticos dos EUA condenando as afirmações e defendendo o direito dos palestinos de permanecer em sua terra.

Os comentários reacenderam temores de uma guerra generalizada no Oriente Médio, o que, além da catástrofe humanitária, também poderia gerar problemas econômicos, dado o papel crucial da região na produção e distribuição de petróleo.

No cenário internacional, o cenário de juros nos EUA continua repercutindo. O vice-presidente do Federal Reserve (Fed), Philip Jefferson, afirmou que a instituição deve ser cautelosa ao ajustar suas taxas de juros em meio a um ambiente econômico e político incerto. Essa postura foi apoiada pela presidente do Fed de Boston, Susan Collins, que mencionou a falta de urgência para reduzir os juros no momento, especialmente diante de novas tarifas comerciais anunciadas pelo governo Trump.

Juros elevados nos EUA aumentam a atratividade dos títulos públicos do país, considerados os mais seguros do mundo, atraindo investidores em períodos de incerteza. Isso pode reduzir a competitividade de países como o Brasil, que também busca atrair investimentos com juros altos, valorizando o dólar em detrimento de outras moedas.

No Brasil, a expectativa é de juros elevados por um período prolongado. Na última terça-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou a ata da reunião da semana passada, que resultou em um aumento da taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto percentual.

No documento, o comitê afirmou que as expectativas de inflação aumentaram significativamente nos últimos meses, tanto para o curto quanto para o longo prazo, com projeções indicando inflação acima da meta pelos próximos seis meses consecutivos. A partir de 2025, com o início do sistema de meta contínua, a meta de inflação é de 3%, sendo considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.

Com esses fatores em mente, a instituição já sinalizou um novo aumento de 1 ponto percentual na próxima reunião, o que deve elevar a taxa Selic para 14,25% ao ano. Outras altas são esperadas, com projeções de juros a 15% ao ano até o fim de 2025.

Os dados de produção industrial reforçam que a atividade econômica brasileira segue resiliente, mesmo com uma desaceleração nos últimos meses, mantendo as expectativas de inflação elevadas.

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