Erro em Farmácia Leva Bebê à UTI: Justiça Determina Indenização de R$ 21 Mil

A farmácia em São Paulo foi condenada a pagar R$ 21 mil após vender colírio no lugar de um remédio para vômito de um bebê, que precisou ser internado na UTI. A Justiça destacou que a responsabilidade de verificar a medicação correta é do profissional de saúde, não dos consumidores.

Por Redação gl - São Paulo
Atualizado em 26/03/2025 às 6:22 pm

Farmácia é Condenada Após Erro em Venda de Medicamento para Bebê

Uma farmácia em São Paulo foi condenada pelo Tribunal de Justiça do estado (TJSP) por vender colírio no lugar de um remédio indicado para tratar vômitos em um bebê de apenas dois meses. O erro resultou na internação da criança na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por três dias, gerando danos físicos e psicológicos à família. A decisão, mantida pela 33ª Câmara de Direito Privado, impôs à farmácia o pagamento de R$ 21 mil por danos morais.

Erro e Consequências

De acordo com o relato dos pais, o medicamento prescrito era destinado a tratar problemas digestivos do bebê. No entanto, o atendente da farmácia entregou um colírio, alegando que a receita médica estava ilegível. Após o uso do produto errado, o bebê apresentou complicações graves e precisou ser internado para cuidados intensivos.

A Justiça analisou o caso e concluiu que a receita era legível, destacando que o atendente deveria ter buscado orientação do farmacêutico responsável em caso de dúvidas. “Na pior das hipóteses, em caso de não ser possível efetuar a venda do medicamento com a certeza que lhe incumbia, o farmacêutico responsável deveria negar a venda e solicitar a troca do receituário médico”, afirmou a desembargadora Ana Lucia Romanhole Martucci.

Responsabilidade dos Consumidores

A defesa da farmácia tentou atribuir aos pais a responsabilidade de verificar a bula antes do uso do medicamento. Entretanto, a desembargadora rebateu o argumento, destacando que não é razoável exigir que consumidores leigos tenham conhecimento técnico sobre medicamentos. “Ao procurarem uma rede de drogaria conhecida, espera-se o atendimento por profissionais especializados”, pontuou.

Reflexões e Implicações

O caso levanta preocupações sobre a segurança na comercialização de medicamentos e reforça a necessidade de responsabilidade profissional nas farmácias. A sentença estabelece um importante precedente sobre os cuidados exigidos de estabelecimentos de saúde ao lidar com prescrições médicas, principalmente em situações envolvendo pacientes vulneráveis.

Além disso, a decisão destaca a importância de capacitar os atendentes e de ter farmacêuticos supervisionando os processos de venda para evitar situações similares no futuro. A família, composta por uma diarista e um pedreiro, espera que o caso sirva como alerta para outras farmácias e profissionais do setor.

Impactos da Decisão

O erro cometido pela farmácia não apenas expôs o bebê a riscos de saúde, mas também gerou angústia e transtornos para os pais. O valor estipulado pela Justiça busca compensar os danos morais sofridos pela família, ao mesmo tempo em que reflete a gravidade do ocorrido e a responsabilidade dos profissionais envolvidos.

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