Estratégias Repetidas, Resultados Limitados: Análise das Isenções de Impostos nos Alimentos

O governo federal anunciou a isenção de tarifas de importação para nove itens da cesta básica, como carne e café, numa tentativa de conter a inflação. Especialistas, porém, avaliam que o impacto será limitado e defendem soluções estruturais para reduzir os preços de forma sustentável.

Por Redação gl - Economia
Atualizado em 08/03/2025 às 3:49 pm

Redução de Impostos sobre Alimentos: Estratégia Repetida com Impacto Limitado

O governo federal anunciou a isenção de tarifas de importação para nove produtos da cesta básica, incluindo carnes, café, açúcar, azeite e milho. A medida, que busca conter a inflação e aliviar a pressão sobre famílias de baixa renda, repete estratégias adotadas em gestões anteriores, como as de Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro e agora Luiz Inácio Lula da Silva.

Impacto Prático Questionado

Especialistas avaliam que a redução de impostos pode ter efeitos limitados no preço final dos alimentos. O professor Joelson Sampaio, da FGV, explica que essas ações costumam ser implementadas em momentos de crise, mas os benefícios são restritos. “Essas medidas geram impactos, mas sempre muito reduzidos”, afirma.

Outro ponto levantado é o risco de que os descontos fiscais não sejam repassados integralmente ao consumidor. “Parte do benefício pode ser absorvida pelos comerciantes como margem de lucro”, alerta Sampaio. Já o economista André Braz destaca que, sem mudanças estruturais na cadeia produtiva, os preços tendem a continuar subindo.

Medidas em Gestões Anteriores

Essa abordagem não é inédita. Em 2013, Dilma Rousseff desonerou tributos federais sobre a cesta básica, enquanto Jair Bolsonaro, em 2022, zerou impostos de importação para itens como feijão, carne e óleo de soja. Apesar disso, a inflação alimentar permaneceu como um desafio em ambas as gestões.

Desafios Estruturais

Especialistas apontam que soluções de longo prazo, como melhorias na logística, incentivos ao pequeno produtor e desenvolvimento de tecnologias agrícolas, seriam mais eficazes para reduzir os preços de forma sustentável. “Sem mexer na estrutura produtiva, os preços continuam subindo”, conclui Braz.

O Que Esperar

Embora o governo aposte na redução de impostos como uma resposta imediata à inflação, o impacto real dependerá de fatores externos, como a cotação internacional e a oferta de alimentos. A medida é vista como um paliativo, mas não como uma solução definitiva para o problema.

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