Brasil e EUA: A Influência de Trump nas Exportações de Café
De um lado, o Brasil, maior produtor de café do mundo. Do outro, os EUA, o maior consumidor absoluto e principal comprador do café brasileiro. No meio, uma série de fatores políticos e econômicos, fortemente influenciados pela administração de Donald Trump, que moldam uma das atividades agrícolas mais importantes do Brasil.
Desafios Climáticos e Projeções para 2025
O setor de café inicia 2025 com a previsão de uma safra reduzida devido aos impactos de incêndios e condições climáticas adversas no ano passado. “Café eles não produzem, mas são o maior consumidor do mundo. Não dá pra se ignorar um fato desse, a magnitude. Não digo que eles ditam o preço do mercado, mas eles são compradores que não podem ser ignorados”, afirma Maurílio Benite, economista e consultor agrícola.
As incertezas no mercado cafeeiro aumentaram após Trump anunciar tarifas sobre produtos estrangeiros. Em um caso recente, ele impôs uma tarifa de 25% sobre produtos colombianos após um desacordo diplomático, que foi posteriormente revertida. O presidente Lula afirmou que o Brasil retaliará caso seus produtos sejam taxados.
Exportações de Café para os EUA
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em 2024 o Brasil exportou 50,5 milhões de sacas de café, um aumento de 28,8% em relação a 2023, gerando uma receita de US$ 12,3 bilhões. Os EUA foram os maiores compradores, adquirindo US$ 1,9 bilhão em café não torrado, representando 4,7% das importações brasileiras.
Na região de Franca (SP), a participação dos EUA nas exportações de café aumentou de 11,7% para 19,8%, conforme relatado pela Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec). “Em relação a exportação, tanto Brasil quanto nós aqui batemos recorde de exportação. Foi o ano que a Cocapec mais exportou café”, disse Ricardo Ravagnani, gerente de negócios da cooperativa.
Projeções para a Safra 2025
Em 2024, o Brasil produziu 54,2 milhões de sacas de café de 60 kg, uma queda de 1,6% em relação a 2023, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “Como o café é uma cultura perene, ele demora a recuperar a produção, então 2024 era um ano de recuperação. Nós tivemos uma boa safra, porém por problema climático, de novo, a gente teve uma pequena quebra de safra e principalmente na questão de qualidade, a gente teve uma peneira um pouco menor do que era esperado”, explicou Ravagnani.
Para 2025, a Conab projeta uma produção de 51,8 milhões de sacas, uma redução de 4,4%, devido à estiagem, altas temperaturas e incêndios que afetaram os cafezais no ano anterior.
Fatores Influenciando a Taxação do Café Brasileiro
- Política internacional: As relações diplomáticas entre Brasil e EUA, agora sob avaliação de líderes com ideologias distintas, podem influenciar a taxação do café.
- Câmbio: A desvalorização do real pode favorecer os exportadores brasileiros, mas sanções econômicas podem reduzir a rentabilidade e aumentar a pressão política.
- China: A relação entre Trump e a China também pesa na balança, podendo afetar o agronegócio brasileiro dependendo das tarifas impostas aos produtos asiáticos.
- Inflação: A maior demanda dos consumidores americanos por café, sem produção interna, pode levar a um aumento dos preços com a taxação do café brasileiro.
- Taxa de juros: Medidas de controle da economia americana, como taxas de juros mais altas, podem atrair investidores para os títulos do tesouro americano, fortalecendo o dólar e aumentando os custos de produção no Brasil.
O cenário de taxação pode levar a um aumento do estoque de café no mercado interno brasileiro, reduzindo os preços para os consumidores. Contudo, o impacto geral nos índices de preços seria limitado. “Obviamente que o café brasileiro seria menos competitivo, então as exportações em tese em parte ficariam aqui dentro e o preço do café cairia. Isso atenderia a uma perspectiva do governo de controlar a inflação. Por outro lado, não vamos esquecer que o IPCA, o IGP, o Índice Fipe, qualquer índice de inflação é composto por muitos produtos, então a queda no índice geral seria muito pequena e o custo político aqui dentro não valeria”, conclui Benite.
Medidas econômicas adotadas pelos EUA, como o aumento das taxas de juros, podem atrair mais investimentos para o país, fortalecendo ainda mais o dólar e encarecendo os custos de produção no Brasil. “Quanto mais Trump fortalece a economia americana há uma tendência de o dinheiro do mundo migrar para lá e nossa taxa de juros sobe porque o câmbio é precificado. Então nossa taxa de juros deve subir e isso desacelera investimento, desacelera nossa economia”, explica o representante da Cocapec.
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