O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pediu na noite de quinta-feira (31) por maior “honestidade intelectual” ao avaliar o trabalho do governo Lula na área fiscal e criticou a atuação dos governos anteriores na economia, mencionando diretamente os ex-ministros Henrique Meirelles e Paulo Guedes.
Haddad afirmou que o governo Lula está se esforçando para equilibrar as contas públicas.
“Nós tivemos o governo Temer e o governo Bolsonaro com déficits fiscais muito superiores — mas muito superiores — ao que está sendo observado agora”, declarou Haddad em entrevista.
“Havia muita retórica de cuidado com as contas públicas, mas nem o Meirelles, nem o Guedes conseguiram produzir um superávit sustentável das contas públicas.”
Desempenho Fiscal dos Governos Anteriores
O governo atual tem se empenhado em divulgar as conquistas alcançadas até agora, contrastando com as administrações anteriores.
“O déficit dos sete anos dos governos Temer e Bolsonaro são déficits que somaram 2% do PIB. Ano passado tivemos um déficit de 0,1%”, destacou Haddad. “Então, passa uma ideia falsa de que estava se cuidando das contas públicas antes e não está se cuidando agora”, acrescentou.
Na tarde de quinta-feira, o Tesouro Nacional informou que o governo central registrou um déficit primário de R$ 11,032 bilhões em 2024, equivalente a 0,09% do PIB. Este valor exclui quase R$ 32 bilhões em despesas extraordinárias, especialmente os gastos para mitigar os efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul.
A meta fiscal do governo para 2024 era de resultado primário zero, com tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos. Na prática, o resultado obtido ficou dentro da meta.
Comparação com Governos Anteriores
Henrique Meirelles foi ministro da Fazenda do governo de Michel Temer entre 2016 e 2018, enquanto Paulo Guedes ocupou o Ministério da Economia durante todo o governo Bolsonaro, de 2019 a 2023.
Dados apresentados pelo Tesouro indicaram que nos dois primeiros anos do governo Lula, o déficit primário foi equivalente a 1,19% do PIB. No governo Temer, de setembro de 2016 a 2018, o déficit foi de 2,09% do PIB e, no governo Bolsonaro, de 2019 a 2022, foi de 2,43%.
“O (ex-presidente Jair) Bolsonaro produziu o maior déficit da história do país. Uma parte é pandemia, mas tem outra parte que não tem nada a ver com pandemia. E isso mesmo dando calote em precatório, mesmo vendendo estatal na ‘bacia das almas’, como foi o caso da dilapidação da Petrobras e da venda criminosa da Eletrobras”, criticou Haddad. “Gostaria que nós fôssemos mais honestos intelectualmente, e apontássemos os problemas.”
Regras do Vale-Alimentação e Vale-Refeição
Haddad mencionou que o governo está estudando mudanças nas regras do vale-alimentação e do vale-refeição.
Vídeos Falsos e Memes
Questionado sobre a possibilidade de se candidatar à Presidência da República em 2026, Haddad negou novamente. Ele também lamentou que sua imagem esteja sendo usada em vídeos falsos e memes críticos ao ministério.
“Quando você pega a imagem de um ministro da Fazenda, faz uma deepfake (adulteração realista)… eu jamais autorizaria isso contra um adversário”, afirmou.
Recentemente, um vídeo adulterado com a imagem de Haddad circulou nas redes sociais, com o ministro supostamente anunciando a intenção de “taxar tudo”. O vídeo é falso e foi criado por inteligência artificial.
O governo também enfrentou notícias falsas sobre uma possível taxação do Pix, o que levou à revogação de uma norma da Receita Federal que estabelecia novos parâmetros para monitoramento de movimentações financeiras no sistema.
“Quem é que reajustou a tabela do IR (Imposto de Renda)? Foram eles? Eles mantiveram a tabela sete anos congelada. Eles penalizaram o trabalhador por sete anos. E agora querem se apresentar como defensores dos trabalhadores?”, questionou Haddad, referindo-se à oposição.
Alimentos e Inflação
Haddad afirmou que os preços dos alimentos tendem a se estabilizar em 2025 devido à safra forte e ao dólar mais baixo. Ele também mencionou que o Brasil tem espaço para crescer 2,5% em 2025, reduzindo a inflação.
No entanto, durante a entrevista, o ministro evitou comentar sobre a possibilidade de o governo adotar alíquotas de importação menores para alimentos com preços elevados no Brasil.
“Não é prudente mexer muito com essas coisas antes de aferir o impacto real. Mas houve algumas indicações neste sentido”, disse o ministro. “Ficou tudo no âmbito dos estudos técnicos.”
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