Haddad alerta: Política de juros do Banco Central não pode levar o Brasil à recessão

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a política de juros do Banco Central deve ser conduzida com cautela para evitar uma recessão no Brasil. Durante entrevista, ele destacou a importância de ajustar a taxa de juros de forma correta para controlar a inflação sem prejudicar a economia. Haddad também mencionou medidas para valorizar o real, aumentar o salário mínimo e melhorar a safra como formas de combater os preços altos. Além disso, os estados passaram a cobrar ICMS de contrabandistas para melhorar a situação do varejo. A arrecadação de imposto de importação cresceu significativamente, apesar da queda nas encomendas internacionais.

Por Redação gl - Economia
Atualizado em 07/02/2025 às 9:31 pm

Haddad Afirma que Política de Juros do Banco Central Não Deve Levar o País à Recessão

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou nesta sexta-feira (7) que a política monetária, que define a taxa básica de juros da economia pelo Banco Central, precisa ser conduzida com cuidado para evitar uma recessão no país. A declaração foi feita durante uma entrevista à rádio Cidade, de Caruaru (PE).

“Depende da hora e depende da dose. Se está tendo um repique inflacionário, precisa corrigir. O remédio é aumentar a taxa de juros para coibir alta de preços, mas isso tem de ser feito da maneira correta, na dose certa. É como antibiótico, não pode tomar a cartela em um dia, não pode tomar nem menos e nem mais. Politica monetária tem que ter sabedoria. Não pode jogar o país em uma recessão”, explicou Haddad.

Taxa de Juros e Inflação

Na última semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumentou a taxa de juros para 13,25% ao ano, o que representa a quarta elevação consecutiva. O objetivo do Banco Central é conter as expectativas de inflação e atingir as metas estabelecidas, que têm como centro 3% e teto 4,5% ao ano. A instituição também reconheceu que o preço alto dos alimentos pode influenciar a meta de inflação em junho.

No final do mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou a manutenção da alta dos juros na primeira reunião do Copom sob a presidência de Gabriel Galípolo. “O presidente do Banco Central não pode dar um cavalo de pau num mar revolto de uma hora para outra”, afirmou Lula na ocasião.

Durante esta semana, Lula ressaltou a importância de um “processo educacional” para que os consumidores aprendam a evitar produtos com preços elevados e optem por alternativas mais econômicas. “Se você vai no supermercado e você desconfia que tal produto está caro, você não compra”, sugeriu.

Medidas para Combater Preços Altos

Questionado sobre a declaração de Lula, Haddad evitou comentar diretamente, mas afirmou que, apesar das secas, inundações no Rio Grande do Sul e da disparada do dólar em 2024, os preços “ainda estão abaixo do que o presidente Lula herdou do presidente Bolsonaro”.

“Vamos continuar tomando medidas de aumentar salário mínimo, corrigir tabela do IR, baixar o dólar, e melhorar a safra para combater os preços altos”, afirmou o ministro da Fazenda.

Política Cambial e Metas Econômicas

No tripé macroeconômico adotado pelo Brasil, não há uma meta formal para a taxa de câmbio, que é flutuante, variando conforme a oferta e demanda da moeda norte-americana. Entretanto, existem metas para as contas públicas e para a inflação, sendo a política monetária conduzida pelo Banco Central, por meio da definição da taxa de juros.

Combate ao Contrabando

Na mesma entrevista, Haddad mencionou que os governadores dos estados brasileiros se uniram para cobrar ICMS dos contrabandistas. “Melhorou a situação do varejo. Todos os governadores se uniram e passaram a cobrar dos contrabandistas, o que não era feito no governo anterior”, destacou o ministro.

Ele se referiu à decisão dos estados, em 2023, de iniciar a cobrança de ICMS de 17% sobre encomendas internacionais de até US$ 50. Em agosto de 2024, essa alíquota foi elevada para 20%, e os estados também ajustaram suas taxas de ICMS para 20%, válidas a partir de abril deste ano. Segundo cálculos dos varejistas, essa nova alíquota elevará a taxação total para 50%.

Importante: De acordo com a Receita Federal, o número de encomendas internacionais caiu 11% em 2024 em comparação com 2023, enquanto a arrecadação do imposto de importação cresceu 40,7% no mesmo período. Embora importadoras tenham se queixado, o varejo nacional apoia a medida.

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