Isenção de R$ 5 Mil no Imposto de Renda: Benefícios e Distorções Segundo Especialistas

A proposta do governo de ampliar a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil visa aliviar a carga sobre as classes mais baixas. Contudo, estudo aponta que a medida pode gerar distorções, reforçar a dependência de tributos regressivos e agravar a carga sobre os "super ricos".

Por Redação gl - Economia
Atualizado em 27/03/2025 às 7:16 pm

Reforma do Imposto de Renda: Estudo Aponta Distorções e Sugere Alternativas

A proposta do governo brasileiro de ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil por mês tem gerado debates sobre sua eficácia na promoção de justiça fiscal. Um estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) aponta que, embora a iniciativa busque aliviar a carga tributária para as classes mais baixas, ela pode criar distorções significativas no sistema tributário.

O Que Propõe o Governo?

O plano prevê que, a partir de 2026, contribuintes com rendimentos mensais de até R$ 5 mil fiquem totalmente isentos, enquanto valores entre R$ 5 mil e R$ 7 mil terão isenção parcial. Para compensar a perda de arrecadação, o governo pretende tributar rendimentos superiores a R$ 50 mil mensais, classificando-os como “super ricos”. Cerca de 10 milhões de contribuintes seriam beneficiados pela nova faixa de isenção.

Pontos de Crítica

O estudo do CLP destaca que, apesar de o Brasil tributar menos a renda em comparação com outros países, essa proposta pode agravar a dependência do país sobre tributos regressivos, como impostos sobre consumo e folha de pagamentos. “Embora aliviar a carga tributária das rendas mais baixas seja louvável, isso reforça uma distorção histórica no sistema tributário brasileiro”, afirma o relatório.

Outro ponto discutido é a possibilidade de bitributação. Atualmente, os lucros das empresas já são tributados pela Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), e a criação de uma nova taxação sobre dividendos pode aumentar excessivamente a carga tributária.

Impactos na População

Segundo dados do IBGE, cerca de 70% dos trabalhadores no Brasil já ganham até dois salários mínimos e, portanto, estão isentos do Imposto de Renda pelas regras atuais. Com isso, apenas 32% dos trabalhadores, pertencentes a faixas de renda mais altas, seriam diretamente impactados pela ampliação da isenção.

Marcos Pinto, secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, reconheceu que o debate precisa avançar em questões de progressividade. “Precisamos corrigir a disparidade onde uma parcela pequena paga menos imposto que a grande maioria dos brasileiros”, afirmou.

Alternativas Propostas

O estudo sugere que uma abordagem mais eficaz seria reduzir impostos regressivos, como os tributos sobre consumo e folha de pagamentos, além de estimular a formalização de empregos. Outra proposta seria reavaliar a alíquota-base do novo imposto sobre consumo, que tende a ser uma das maiores do mundo.

A reforma tributária ainda enfrenta desafios para alcançar um equilíbrio entre progressividade e crescimento econômico, enquanto especialistas apontam para a necessidade de revisar o sistema de arrecadação de maneira mais ampla.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *