Lula culpa Banco Central e dólar alto pela inflação dos alimentos: veja como isso afeta você

Em entrevista a rádios da Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu a inflação dos alimentos à valorização do dólar, à política monetária do Banco Central e ao aumento das exportações. Lula mencionou que os ministérios da Fazenda, da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário estão dialogando com o setor agrícola e empresários para evitar a alta dos preços dos alimentos, mas não detalhou medidas de curto prazo. Ele também anunciou novas iniciativas para incentivar o crédito no país e minimizou o impacto das pesquisas de opinião sobre a eleição presidencial de 2026.

Por Redação gl - Política
Atualizado em 06/02/2025 às 5:53 pm

Lula Atribui Inflação dos Alimentos ao Dólar Alto, Banco Central e Exportações

Em entrevista a rádios da Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apontou três fatores que, segundo ele, contribuem para a inflação dos alimentos nos últimos meses: a valorização do dólar, a política monetária do Banco Central e o aumento das exportações.

“Esse é um problema que me acompanha desde que eu trabalhava no chão de uma fábrica. Toda vez que a inflação cresce, o alimento encarece, e o trabalhador que vive de salário é quem sofre. Ao aumentar o salário mínimo acima da inflação, elevamos a massa salarial, mas precisamos compensar com a redução dos preços dos alimentos”, disse Lula.

O presidente atribuiu a alta do dólar a uma gestão “irresponsável” do Banco Central durante a administração de Roberto Campos Neto, deixando uma “arapuca” que não pode ser desfeita rapidamente. Em janeiro de 2024, Gabriel Galípolo, indicado por Lula, assumiu o comando do BC, mas o ciclo de alta dos juros continuou. Lula ressaltou que mudanças na política monetária devem ser feitas de forma gradual.

Ações para Conter a Inflação

Lula mencionou que os ministérios da Fazenda, da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário estão dialogando com o setor agrícola e empresários para evitar a explosão dos preços dos alimentos, embora não tenha especificado medidas de curto prazo. “Nós abrimos 303 novos mercados para produtos brasileiros, especialmente alimentos. O Brasil virou o celeiro do mundo. Precisamos aumentar a produção e melhorar a qualidade para reduzir os preços”, afirmou.

Impacto das Eleições Americanas no Dólar

Lula também comentou que o cenário eleitoral conturbado nos Estados Unidos impactou negativamente o dólar. Ele acredita que, com o ajuste da moeda, os produtos devem permanecer mais no Brasil, ajudando a controlar a inflação. “Estou convencido de que resolveremos esse problema em breve”, disse.

O dólar interrompeu uma sequência de 12 quedas e fechou a sessão de quarta-feira (5) em alta, cotado a R$ 5,79, devido a declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Faixa de Gaza. Com isso, a moeda acumulou uma queda de 0,74% na semana e no mês, e recuo de 6,24% no ano.

Medidas para Incentivar o Crédito

Lula anunciou que, “nos próximos dias”, serão divulgadas novas medidas para incentivar o crédito no país. Ele destacou a importância de fazer o dinheiro chegar às mãos dos trabalhadores e pequenos empresários. “Ao invés de discutir macroeconomia, precisamos focar na microeconomia, que faz a diferença. Quem pega R$ 10 mil investe, quem ganha R$ 1 mil vai ao supermercado comprar comida. Isso movimenta a economia”, explicou.

Reeleição e Pesquisas

Questionado sobre a reeleição, Lula afirmou que ainda é cedo para discutir o tema, mas garantiu que “o negacionismo não voltará”. Sem mencionar Jair Bolsonaro (PL) diretamente, Lula declarou que venceria uma disputa contra o ex-presidente. “Se ele acha que vai voltar, pode tirar o cavalo da chuva. Quantas vezes for candidato, quantas vezes vou derrotá-lo”, disse.

Lula minimizou o impacto das pesquisas de opinião sobre a eleição presidencial de 2026, afirmando que “a pesquisa de verdade começa a fazer efeito quando a campanha começa”.

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