Medidas do Governo para Reduzir Preços de Alimentos Geram Dúvidas entre Economistas
Nesta quinta-feira (6), o governo federal anunciou um pacote de medidas para tentar diminuir o custo dos alimentos no Brasil. Entre as ações está a isenção de tarifas de importação de produtos como carne, café, açúcar e azeite. Apesar das intenções, especialistas afirmam que os impactos sobre a inflação e no bolso do consumidor devem ser limitados.
Quais Produtos Tiveram Tarifas Zeradas?
- Carne: tarifa anterior de 10,8%, agora zerada;
- Café: de 9% para 0%;
- Açúcar: de 14% para 0%;
- Milho: de 7,2% para 0%;
- Azeite: de 9% para 0%;
- Óleo de girassol: de até 9% para 0%;
- Sardinha: de 32% para 0%;
- Biscoitos: de 16,2% para 0%;
- Massas alimentícias: de 14,4% para 0%.
Impactos Limitados na Inflação
Para o economista André Braz, do FGV Ibre, poucos produtos da lista terão peso significativo na redução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como a carne, que corresponde a quase 3% da renda das famílias. Outros itens, como azeite e sardinha, são menos relevantes para o orçamento doméstico e pouco contribuem para aliviar a inflação geral.
Segundo Felippe Serigati, do FGV Agro, o preço de muitos desses produtos é definido pelo mercado internacional. “Mesmo com a isenção de tarifas, se os preços globais estiverem altos, o impacto para o consumidor será quase nulo,” explica. Além disso, ele avalia a medida como uma estratégia política para conter a queda de popularidade do governo.
Preocupações com a Economia Local
Especialistas alertam que a isenção prolongada de tarifas pode prejudicar os produtores brasileiros, que competem diretamente com os itens importados. Além disso, a redução na arrecadação fiscal gera dúvidas sobre a capacidade do governo em equilibrar as contas públicas, impactando a confiança do mercado e contribuindo para a alta do dólar.
Outras Ações Anunciadas
- SISBI-POA: Ampliação do sistema de inspeção para facilitar a venda de produtos de origem animal em todo o país, estimulando a competitividade no mercado interno.
- Estoques Reguladores: Reforço nos estoques públicos de alimentos básicos para conter altas de preços em momentos de crise.
- Plano Safra: Priorização de financiamentos para a produção de itens da cesta básica, incentivando agricultores que abastecem o mercado interno.
Próximos Passos
Embora as medidas busquem mitigar os impactos da inflação alimentar, analistas concordam que elas não resolverão o problema de forma sustentável. O controle do dólar e incentivos fiscais mais direcionados são apontados como caminhos mais eficazes para garantir preços acessíveis à população.
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