Medidas do Governo para Reduzir Preço de Alimentos: Por Que Economistas Estão Céticos

O governo federal zerou tarifas de importação em alimentos como carne e café para conter a inflação, mas economistas questionam a eficácia das medidas. Especialistas apontam que o impacto para o consumidor final será limitado e alertam sobre possíveis prejuízos ao setor produtivo e à arrecadação fiscal.

Por Redação gl - Economia
Atualizado em 07/03/2025 às 1:59 pm

Medidas do Governo para Reduzir Preços de Alimentos Geram Dúvidas entre Economistas

Nesta quinta-feira (6), o governo federal anunciou um pacote de medidas para tentar diminuir o custo dos alimentos no Brasil. Entre as ações está a isenção de tarifas de importação de produtos como carne, café, açúcar e azeite. Apesar das intenções, especialistas afirmam que os impactos sobre a inflação e no bolso do consumidor devem ser limitados.

Quais Produtos Tiveram Tarifas Zeradas?

  • Carne: tarifa anterior de 10,8%, agora zerada;
  • Café: de 9% para 0%;
  • Açúcar: de 14% para 0%;
  • Milho: de 7,2% para 0%;
  • Azeite: de 9% para 0%;
  • Óleo de girassol: de até 9% para 0%;
  • Sardinha: de 32% para 0%;
  • Biscoitos: de 16,2% para 0%;
  • Massas alimentícias: de 14,4% para 0%.

Impactos Limitados na Inflação

Para o economista André Braz, do FGV Ibre, poucos produtos da lista terão peso significativo na redução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como a carne, que corresponde a quase 3% da renda das famílias. Outros itens, como azeite e sardinha, são menos relevantes para o orçamento doméstico e pouco contribuem para aliviar a inflação geral.

Segundo Felippe Serigati, do FGV Agro, o preço de muitos desses produtos é definido pelo mercado internacional. “Mesmo com a isenção de tarifas, se os preços globais estiverem altos, o impacto para o consumidor será quase nulo,” explica. Além disso, ele avalia a medida como uma estratégia política para conter a queda de popularidade do governo.

Preocupações com a Economia Local

Especialistas alertam que a isenção prolongada de tarifas pode prejudicar os produtores brasileiros, que competem diretamente com os itens importados. Além disso, a redução na arrecadação fiscal gera dúvidas sobre a capacidade do governo em equilibrar as contas públicas, impactando a confiança do mercado e contribuindo para a alta do dólar.

Outras Ações Anunciadas

  • SISBI-POA: Ampliação do sistema de inspeção para facilitar a venda de produtos de origem animal em todo o país, estimulando a competitividade no mercado interno.
  • Estoques Reguladores: Reforço nos estoques públicos de alimentos básicos para conter altas de preços em momentos de crise.
  • Plano Safra: Priorização de financiamentos para a produção de itens da cesta básica, incentivando agricultores que abastecem o mercado interno.

Próximos Passos

Embora as medidas busquem mitigar os impactos da inflação alimentar, analistas concordam que elas não resolverão o problema de forma sustentável. O controle do dólar e incentivos fiscais mais direcionados são apontados como caminhos mais eficazes para garantir preços acessíveis à população.

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