Medidas para baratear alimentos não trarão frutos no mandato de Lula, prevê economista

O economista André Braz, da Fundação Getulio Vargas, prevê que as medidas necessárias para conter a alta dos preços dos alimentos não trarão frutos durante o mandato do presidente Lula. Ele destaca que políticas efetivas levarão tempo para gerar resultados e que a inflação de alimentos em 2025 deve continuar alta, com possíveis aumentos de 5% a 6%. Braz sugere investimentos em infraestrutura e transporte mais barato para reduzir os custos e aumentar a competitividade da agricultura nacional. Ele também menciona a necessidade de alinhamento entre as políticas fiscal e monetária para controlar a inflação de forma eficaz. Além disso, fatores climáticos e cambiais continuarão a impactar os preços dos alimentos nos próximos anos.

Por Redação gl - Economia
Atualizado em 07/02/2025 às 9:09 pm

Medidas para Baratear Alimentos Demoram e Não Beneficiariam Governo Lula Neste Mandato, Diz Economista

Os preços dos alimentos devem continuar em alta em 2025, segundo previsão do economista André Braz, coordenador de Índices de Preços na Fundação Getulio Vargas (FGV). Embora o governo Lula esteja correto em querer agir para reverter essa situação, as políticas efetivas só devem gerar resultados a médio e longo prazo, fora do atual mandato.

Impacto da Inflação de Alimentos

André Braz destaca que o aumento no preço dos alimentos não é recente e a inflação acumulada desde 2020 é de 55%, enquanto a inflação geral é de 35%. Ele alerta que a inflação de alimentos em 2025 deve continuar superior à média geral, sendo o Brasil um dos maiores produtores de alimentos do mundo.

“Estamos correndo o risco de ter mais um ano — 2025 — com a inflação de alimentos acima da inflação média, sendo o Brasil um dos maiores produtores de alimentos no mundo”, afirma Braz.

Propostas para Contenção de Preços

O governo Lula está preocupado com a alta dos preços dos alimentos e estudando diversas medidas para conter essa inflação. Entre as sugestões do ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Paulo Teixeira, estão a redução de juros para produtores rurais e o controle de tarifas de importação. Segundo Braz, essas são as medidas com maior impacto potencial.

Importante: Medidas como a taxação de exportações foram descartadas pelo governo, mas ainda são tema de debates. Para Braz, essa estratégia poderia prejudicar a produção agrícola a longo prazo.

Investimentos Necessários

Braz destaca a necessidade de investimentos em infraestrutura para reduzir os custos de transporte da produção agrícola. Ele sugere a utilização de modais mais baratos, como o transporte fluvial, e investimentos em armazenagem de grãos para evitar desperdícios.

“Não existe uma fórmula mágica para baratear o preço dos alimentos, isso vai depender de políticas em diferentes segmentos, e mais de médio e longo prazo”, diz Braz. Ele acrescenta que esses investimentos são estratégicos para o país e precisam ser contínuos, independentemente do governo em exercício.

Desafios Climáticos e Cambiais

Além dos investimentos, Braz lembra que o preço dos alimentos é afetado por fatores climáticos e cambiais. A desvalorização do câmbio em 2024 incentivou a exportação de carne bovina, mas reduziu a oferta interna. O ciclo pecuário também impactou os preços, já que o abate de fêmeas em 2023 diminuiu o rebanho e elevou os custos da carne em 2024. Esses efeitos devem se manter em 2025.

“Para 2025, boa parte dos efeitos que tivemos no ano passado [sobre a inflação] vão continuar, porque há alimentos que têm um ciclo mais longo. Então a carne deve continuar cara. O café, que depende de um ciclo bianual, deve continuar caro, porque 2025 é ano de ciclo mais fraco”, diz Braz.

No entanto, a expectativa de um ano sem grandes complicações climáticas e com safra 10% maior pode ajudar a controlar a inflação de alimentos. A previsão é de uma alta menor, entre 5% e 6%, em comparação com 2024.

Política Fiscal e Monetária

Braz defende que o governo deve alinhar a política fiscal ao controle das contas públicas para contribuir na contenção da inflação. Ele ressalta que os juros altos, sozinhos, não são suficientes para conter a inflação puxada pela alta nos preços dos alimentos. A política fiscal precisa ser fortalecida para que a política monetária seja eficaz.

Nesse cenário, discute-se a possibilidade de o Brasil entrar em “dominância fiscal”, quando a política de juros perde eficácia devido à alta dívida pública. Braz avalia que ainda há tempo para evitar esse quadro, desde que haja um alinhamento maior entre a política fiscal e monetária.

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