Ministro Silveira Defende Fórum da Opep+ e Afirma Ser Mais Ambientalista do que Críticos

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu a participação do Brasil no fórum da Opep+, alegando ser 'mais ambientalista' do que os críticos da decisão. A adesão ao grupo gerou críticas de ambientalistas que pedem maior foco na transição energética. Silveira também comentou sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas.

Por Redação gl - Economia
Atualizado em 18/02/2025 às 6:06 pm

Silveira Defende Participação do Brasil na Opep+ e Se Declara “Mais Ambientalista”

O anúncio do governo brasileiro de ingressar em um fórum de debates da Opep+ foi feito nesta terça-feira (18) pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, após reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A decisão gerou críticas de entidades ambientais, que pedem prioridade à transição energética em vez do foco no petróleo.

Objetivos do Brasil na Opep+

O governo brasileiro acredita que participar do fórum da Opep+ permitirá ao país influenciar discussões internacionais sobre transição energética e seu financiamento. Silveira confirmou que, além da Opep+, o Brasil também ingressará na Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena).

Integrantes do governo, como Silveira, não veem contradição entre sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) e aderir ao fórum da Opep+. Eles defendem que o Brasil não planeja usar o organismo para aumentar a produção de petróleo.

Respostas às Críticas

Questionado sobre as críticas de ambientalistas, Silveira afirmou: “Os ambientalistas […] têm todo o meu respeito, eu também sou ambientalista, também defendo a preservação do meio ambiente. Trabalho vigorosamente para avançar na transição energética, talvez eu me considere até mais ambientalista que eles”. Ele também questionou o fundamento das críticas, dizendo que é importante entender geopolítica para discutir estratégias energéticas.

Pontos de Vista dos Ambientalistas

Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, criticou a decisão, afirmando que “expõe o negacionismo da emergência climática” e “consolida” a intenção de expandir a produção de combustíveis fósseis. Ricardo Fujii, especialista em conservação da WWF-Brasil, considerou a adesão “contraditória”, destacando que a influência da Opep está diminuindo à medida que a transição energética avança. Pablo Nava, do Greenpeace Brasil, sugeriu que o Brasil poderia “aprofundar” as relações com países da Opep em outros fóruns multilaterais, focando em transição energética e economia de baixo carbono.

Exploração de Petróleo na Foz do Amazonas

O anúncio da Opep+ ocorre em meio à defesa do presidente Lula pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas, uma área que pode render 14 bilhões de barris. O tema divide setores do governo, com o Ministério de Minas e Energia e a Petrobras a favor da extração, enquanto o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama pedem maior rigor devido à sensibilidade ambiental da região.

O presidente Lula criticou o que chamou de “lenga lenga” e afirmou que o Ibama parece agir contra o governo. Silveira, por sua vez, declarou que o Ibama não pode “enrolar” e deve fornecer respostas claras sobre os requisitos para as pesquisas.

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