Polêmica da planilha dos influencers expõe imaturidade no mercado de influenciadores digitais

Em janeiro, uma planilha anônima criada por profissionais de publicidade viralizou, expondo avaliações sobre influenciadores digitais e revelando problemas de profissionalismo no mercado. A planilha destacou a necessidade de entender melhor os diferentes tipos de influenciadores e os resultados que cada um pode oferecer. Especialistas afirmam que, embora essas questões já fossem conhecidas, a repercussão do caso acelerou as discussões sobre a profissionalização dos influenciadores e a importância das métricas de engajamento. Tendências como o uso de influenciadores virtuais e parcerias com microinfluenciadores ganham força no mercado.

Por Redação gl - Economia
Atualizado em 05/02/2025 às 7:31 pm

Polêmica da Planilha dos Influencers: O Que o Episódio Revela Sobre o Mercado e Suas Mudanças

Em janeiro, uma planilha criada por profissionais de publicidade viralizou nas redes sociais, trazendo à tona avaliações anônimas sobre influenciadores digitais. A planilha permitia que funcionários de agências escrevessem o nome do influenciador com quem haviam trabalhado, atribuíssem uma nota e deixassem suas impressões.

Nomes conhecidos como Anitta, Ivete Sangalo, Lázaro Ramos, Gil do Vigor, Jade Picon e Malu Borges foram avaliados. Alguns receberam feedbacks positivos, mas muitos foram criticados por falta de profissionalismo, atrasos nas entregas e problemas com as equipes.

Muitos influenciadores se pronunciaram nas redes sociais. Malu Borges, que foi criticada, disse que “todo feedback é válido”. Rafa Uccman reconheceu os problemas e pediu desculpas.

Impacto da Planilha no Mercado

Especialistas em marketing de influência afirmam que a planilha destacou a necessidade de profissionalização dos influenciadores e o entendimento das marcas sobre os resultados que cada tipo de criador de conteúdo pode oferecer. Segundo eles, embora esses temas já fossem conhecidos, a repercussão da planilha acelerou a discussão sobre os problemas do mercado.

Para Mariana Munis de Farias, professora de Marketing e Comportamento do Consumidor do Mackenzie, a planilha evidenciou “uma grande imaturidade” entre influenciadores, marcas e agências. Ela destaca que as marcas e agências ainda têm dificuldade em entender que diferentes tipos de influenciadores geram resultados distintos.

“As marcas e agências não entendem os papéis e responsabilidades de um criador de conteúdo”, diz Munis. “O influenciador tem sua comunidade, que ele conhece muito bem, e serve para buscar uma audiência que a marca não consegue alcançar sozinha.”

Rafael Terra, professor de marketing digital da ESPM, acrescenta que a reputação dos influenciadores já era conhecida nos bastidores antes da planilha. “A planilha, ao sistematizar e expor esses dados, elevou o debate e gerou um senso coletivo de validação das percepções já existentes”, diz Terra.

Métricas de Vaidade vs. Métricas de Engajamento

A planilha também destacou o alto custo do trabalho de grandes influenciadores comparado aos resultados obtidos. Alessandra Marassi, pós-doutora em Ciências da Comunicação e professora de Publicidade e Propaganda na Faculdade Cásper Líbero, explica que existem dois tipos principais de métricas:

  • Métricas de vaidade: Grandes números de seguidores e visualizações.
  • Métricas de engajamento: Seguidores fiéis que confiam nos produtos divulgados.

Marassi destaca que grandes influenciadores geram números expressivos, mas nem sempre convertem em vendas. Para impactar nas vendas, a recomendação é buscar influenciadores com boas métricas de engajamento.

Tendências para o Futuro

Os especialistas apontam diversas tendências no mercado de marketing de influência, incluindo:

  • Investimento em micro e pequenos criadores de conteúdo.
  • Transformação de funcionários em influenciadores da marca.
  • Humanização de conteúdos e cultivo de comunidades.
  • Influenciadores virtuais e criadores de conteúdo gerados por inteligência artificial.
  • Uso de inteligência artificial para minimizar questões operacionais.
  • Consolidação do cargo de “Gestor de Marketing de Influência”.
  • Parcerias que vão além da publicidade, como criação de produtos.
  • Maior alinhamento dos influenciadores a pautas globais.
  • Crescimento das vendas pelo modelo de live commerce.
  • Maior regulamentação da profissão de influenciador digital.

Essas mudanças visam profissionalizar ainda mais o mercado de influenciadores digitais e otimizar os resultados para marcas e agências.

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