Policial Civil Preso por Lavagem de Dinheiro do PCC em Fintechs: Operação Gaeco e PF

Uma operação conjunta entre o Gaeco e a Polícia Federal resultou na prisão de um policial civil suspeito de envolvimento na lavagem de dinheiro do PCC por meio de fintechs. As investigações apontam que as instituições financeiras movimentaram milhões em recursos ilícitos para a facção criminosa.

Por Redação gl - São Paulo
Atualizado em 25/02/2025 às 3:57 pm

Policial Civil Preso em Operação de Combate à Lavagem de Dinheiro do PCC Através de Fintechs

Na manhã desta terça-feira (25), uma operação conjunta entre o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público e a Polícia Federal resultou na prisão de um policial civil, suspeito de envolvimento na lavagem de dinheiro do PCC utilizando fintechs.

Contexto da Operação

A ação é um desdobramento da delação de Vinicius Gritzbach, delator do PCC executado no ano passado. Gritzbach havia sido acusado de lavar dinheiro para a facção criminosa antes de ser assassinado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

Prisão e Investigações

O policial Cyllas Elia Junior, preso nesta terça, atuava como CEO da 2GO Bank, uma das fintechs citadas pelo delator. A outra empresa envolvida é a InvBank. As investigações apontam que essas instituições financeiras movimentaram recursos milionários para o PCC, dissimulando sua origem ilícita através da compra de imóveis.

“O crime organizado atingiu outro patamar e hoje opera no mercado financeiro formal”, afirmou o promotor Lincoln Gakiya.

Histórico do Policial

Elia Junior havia sido afastado de suas funções na Polícia Civil em 2022 e retornou ao trabalho no início deste ano. Ele já tinha sido preso anteriormente em uma operação da PF em Campinas, devido à ligação na lavagem de dinheiro para criminosos chineses, mas foi solto no final de 2024.

Além do mandado de prisão contra Elia Junior, foram cumpridas ordens de busca e apreensão nas sedes das duas fintechs e nos endereços de seis pessoas ligadas à gestão das empresas. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 27 milhões dos investigados e das fintechs, além da suspensão das atividades dos bancos digitais.

Resposta das Autoridades

A Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil está acompanhando os desdobramentos da operação e colaborando com as investigações. “As forças de segurança do Estado operam estritamente dentro de seu dever constitucional, com transparência e respeito aos direitos humanos fundamentais”, destacou a nota oficial.

Detalhes das Fintechs e Operações

As fintechs oferecem inovações no mercado financeiro por meio do uso intenso de tecnologia, como o envio de pagamentos para o exterior. No entanto, segundo os investigadores, a regulamentação atual apresenta brechas que permitem que essas operações não sejam monitoradas pelo Banco Central.

As fintechs alvo da operação desta terça movimentavam cifras bilionárias, com valores próximos a R$ 30 milhões. Em 2022, o 2GO Bank promoveu um evento sobre segurança bancária na internet, com participação de várias autoridades.

Apurações conduzidas pelo Gaeco em conjunto com a Polícia Federal revelaram um complexo esquema ilícito envolvendo o uso indevido de fintechs para beneficiar o PCC. As empresas são suspeitas de receber valores em espécie e movimentá-los para contas de “laranjas”, mantendo pleno controle dessas contas.

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