Dólar Recua para R$ 5,75 com Enfraquecimento de Tarifas de Trump e Ata do Copom em Foco; Ibovespa Cai
O dólar registrou queda nesta terça-feira (4), refletindo o enfraquecimento das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos últimos dias. A política de juros no Brasil também continua no radar dos investidores.
O destaque do cenário internacional é a resposta da China às tarifas norte-americanas. Nesta terça-feira, o país asiático anunciou novas tarifas de 15% sobre carvão e Gás Natural Liquefeito (GNL) dos EUA, além de 10% sobre petróleo bruto, equipamentos agrícolas e alguns automóveis. Essas taxas entram em vigor na próxima segunda-feira (10).
A decisão chinesa ocorre um dia após Trump fazer acordos com o México e o Canadá, dois países que também estavam na mira das tarifas. (Entenda mais abaixo)
Cenário Doméstico
No Brasil, as atenções estão voltadas para a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que ocorreu na semana passada e resultou no aumento da Selic, a taxa básica de juros, para 13,25% ao ano.
No documento divulgado nesta terça-feira, o Copom projeta uma inflação acima da meta pelo menos até junho deste ano e expressa preocupação com a alta dos preços dos alimentos, que deve se “propagar para o médio prazo”.
O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira (B3), também opera em baixa.
Desempenho do Mercado
Dólar
Às 12h30, o dólar caía 0,81%, sendo cotado a R$ 5,7685, após atingir a mínima do dia de R$ 5,7590. Veja mais cotações.
No dia anterior, a moeda norte-americana havia registrado uma queda de 0,38%, fechando a R$ 5,8153.
- Queda de 0,38% na semana e no mês;
- Recuo de 5,90% no ano.
Ibovespa
No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,32%, aos 125.563 pontos.
No dia anterior, o índice havia fechado em queda de 0,13%, aos 125.971 pontos.
- Queda de 0,13% na semana e no mês;
- Ganho de 4,73% no ano.
Fatores Impactantes
Os desdobramentos das tarifas impostas por Trump continuam influenciando os mercados globais. Nesta terça-feira, a China impôs novas tarifas sobre importações dos EUA, como retaliação às taxações norte-americanas. O país asiático determinou um imposto de 15% sobre carvão e GNL dos EUA, além de 10% sobre petróleo bruto, equipamentos agrícolas e alguns automóveis. As taxas passam a valer na próxima segunda-feira (10).
Essas ações intensificam a guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo e fazem com que os mercados avaliem a efetividade da ameaça tarifária dos Estados Unidos. A estratégia antiga visa favorecer o país norte-americano.
Desde sexta-feira (31), quando anunciou novas tarifas para três de seus principais parceiros comerciais, Trump fez acordos com México e Canadá. Em ambos os casos, os tratados determinaram a pausa das tarifas por um mês, além de medidas para controlar as fronteiras.
No entanto, a disputa tarifária entre EUA e China permanece no radar dos investidores, gerando temores de que a taxação possa aumentar a inflação nos EUA devido ao aumento dos preços de produtos e matérias-primas.
Se esse cenário se concretizar, o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, poderá enfrentar ainda mais pressão para controlar os preços no país, possivelmente aumentando os juros novamente.
Juros mais altos tornam o crédito mais caro, reduzindo o consumo e, consequentemente, a pressão inflacionária. No entanto, também elevam a rentabilidade dos títulos públicos dos EUA, considerados os ativos financeiros mais seguros do mundo.
Isso atrai mais investidores para os Estados Unidos, fortalecendo o dólar em relação a outras moedas, como o real. Esse fortalecimento pode ter um impacto global nos preços, já que muitos contratos de importação e exportação são feitos em dólares.
Atenção aos Juros
No cenário doméstico, a ata da última reunião do Copom indica que as expectativas de inflação aumentaram significativamente nos últimos meses, tanto a curto quanto a médio e longo prazo. As projeções apontam para uma inflação acima da meta pelos próximos seis meses consecutivos.
A partir de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo será uma inflação de 3%, considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%. No entanto, se a inflação permanecer fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, a meta será considerada descumprida. Assim, se as projeções se concretizarem, 2025 terá um novo estouro da meta de inflação.
Entre os fatores de pressão para a inflação, o Copom destaca a alta dos preços dos alimentos, a pressão do dólar e as perspectivas cautelosas sobre a capacidade do governo de equilibrar as contas públicas.
Com esses elementos em foco, a instituição já indicou a possibilidade de um novo aumento de 1 ponto percentual na próxima reunião, elevando a Selic para 14,25% ao ano. Outras altas podem ocorrer, com o mercado projetando juros de 15% ao ano até o fim de 2025.
Juros mais altos atraem investidores, pois os títulos públicos passam a oferecer rentabilidades mais atrativas, ajudando a reduzir a pressão sobre o dólar.
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