Queda nos Preços do Arroz Beneficia Consumidores, mas Milho Pressiona Inflação
Os preços do arroz despencaram no Brasil, acumulando uma queda de 20% em 2025. Essa redução favorece os consumidores e reflete um aumento significativo na produção nacional, estimado em mais de 15%. No entanto, o milho surge como um risco à inflação, com impacto direto nos custos das proteínas e alimentos básicos, alertam especialistas.
Desempenho do Arroz no Mercado
O arroz em casca está sendo negociado abaixo de R$ 80 por saca de 50 kg no Rio Grande do Sul, o menor valor desde outubro de 2022. Essa tendência é atribuída à recuperação da colheita gaúcha e à melhora na oferta global. A queda nos preços pode levar o governo a recompor estoques estratégicos por meio dos Contratos de Opção de Venda (COV), oferecidos pela estatal Conab.
Segundo Carlos Cogo, especialista em agronegócio, o governo está aproveitando os baixos preços para reforçar os estoques públicos. Entretanto, o volume destinado aos estoques será modesto, cerca de 90 mil toneladas. Embora a queda do arroz traga alívio inflacionário, Cogo observa que as exportações ainda precisam ganhar ritmo para alterar a conjuntura.
Impacto do Milho na Inflação
Por outro lado, o milho se tornou uma preocupação crescente. O preço da saca de 60 kg em Campinas (SP) chegou a R$ 90, o maior nível nominal em três anos. Em Rondonópolis (MT), os valores tiveram alta de mais de 40% em comparação ao mesmo período de 2024, alcançando R$ 85 a saca.
A consultoria Datagro aponta que o milho é um insumo essencial na nutrição animal, impactando diretamente as cadeias produtivas de frango, carne suína, leite e ovos. Estudos econométricos indicam que a alta do milho pode adicionar até 1,07 ponto percentual à inflação de alimentos nos próximos seis meses, além de um impacto geral de até 0,47 ponto percentual no mesmo período.
Proteínas Pesam Mais no IPCA
Apesar de o arroz ser o quinto item mais relevante no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), economistas afirmam que o peso das proteínas é maior. Frango, carne suína e bovina registraram altas de até 21% nos últimos 12 meses, enquanto o arroz acumulou variação negativa de 3,99%. André Braz, do FGV IBRE, destacou que o aumento nos preços de proteínas é generalizado e exerce maior influência sobre a inflação.
Desafios e Perspectivas
Especialistas alertam que estoques baixos de milho e demanda elevada pela indústria de carnes e etanol podem intensificar o risco inflacionário. Além disso, o clima será crucial para garantir uma boa segunda safra de milho, que é a maior do país. Enquanto o arroz traz alívio para os consumidores, o milho continua a ser um fator determinante na pressão sobre os preços.
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