Remissão de Câncer por 18 Anos: Terapia CAR-T Traz Esperança para Tratamentos Oncológicos

Cientistas relataram um caso raro de remissão prolongada de câncer após a terapia CAR-T. Um paciente com neuroblastoma está em remissão há mais de 18 anos, conforme estudo publicado na 'Nature'. A terapia CAR-T reprograma células T do paciente para atacar células cancerígenas, demonstrando um avanço significativo no tratamento oncológico.

Por Redação gl - Saúde
Atualizado em 17/02/2025 às 6:29 pm

Terapia CAR-T: Paciente com Câncer em Remissão por 18 Anos pode ser Caso Inédito

Cientistas anunciaram nesta segunda-feira (17) um raro caso de remissão prolongada de câncer após a terapia CAR-T, uma abordagem inovadora que modifica células do sistema imunológico para combater tumores. O estudo, publicado na revista “Nature”, descreve um paciente com neuroblastoma, um tipo de câncer que afeta as células nervosas, que está em remissão há mais de 18 anos após receber a terapia.

De acordo com os autores da pesquisa, esse pode ser o caso de remissão mais longa já registrada em um paciente tratado com imunoterapia. A técnica reprograma as células T (responsáveis pela defesa contra infecções) do próprio paciente para reconhecer e destruir células cancerígenas.

Como Funciona a Terapia CAR-T

O processo envolve a extração das células T do sangue do paciente, sua modificação genética em laboratório para adicionar um receptor específico capaz de identificar as células tumorais e, posteriormente, a reintrodução dessas células aprimoradas no paciente. Com essa modificação, as células T passam a localizar e atacar o câncer de forma mais eficiente.

Os pesquisadores acreditam que a remissão prolongada observada no estudo pode estar relacionada a fatores como uma carga tumoral reduzida no momento do tratamento ou uma maior susceptibilidade do tumor à terapia. “Estudos anteriores já demonstraram que pacientes tratados com uma menor quantidade de doença tendem a ter melhores resultados, o que destaca a importância do momento da intervenção”, explicou a médica neozelandesa Helen Heslop, principal autora da publicação.

Desafios e Avanços na Terapia

No Brasil, a terapia CAR-T é recomendada apenas para pacientes com leucemia linfoide aguda de células B ou linfoma não-Hodgkin de células B que não tiveram sucesso com tratamentos convencionais, como quimioterapia e transplante de medula óssea. Vamberto Luiz de Castro foi o primeiro paciente no país a passar pelo tratamento em 2019, conseguindo uma remissão completa da doença, embora tenha falecido posteriormente em um acidente doméstico.

Outro caso notável foi o de Paulo Peregrino, de Niterói, Rio de Janeiro, que foi o 14º paciente a ser tratado com a imunoterapia na USP. Paulo lutava contra o câncer há 13 anos e, após o tratamento, obteve remissão total do linfoma em apenas 30 dias.

Estudos e Resultados

O neuroblastoma afeta principalmente crianças com menos de 10 anos. Entre 2004 e 2009, Heslop e sua equipe acompanharam 19 crianças tratadas com a terapia CAR-T modificada para atacar a proteína GD2, presente em grandes quantidades no neuroblastoma e responsável pela agressividade da doença. Embora o tratamento tenha sido considerado seguro na fase inicial da pesquisa, os resultados foram mistos: 12 das 19 crianças não resistiram à doença, enquanto 7 sobreviveram, com 5 ainda sendo acompanhadas, incluindo uma criança que vive há mais de 18 anos sem sinais do câncer.

Helen Heslop destacou que as células CAR-T usadas inicialmente não tinham algumas das melhorias presentes nas versões mais recentes da técnica. “Hoje em dia, essas células são modificadas com moléculas especiais que ajudam a melhorar a resposta do sistema imunológico”, explicou a pesquisadora.

A descoberta da persistência das células CAR-T no corpo dos pacientes é um grande avanço, mas também levanta novas questões sobre o futuro do tratamento de tumores sólidos. Idealmente, as células CAR-T devem agir rapidamente para destruir as células tumorais e, posteriormente, diminuir, permanecendo por um longo período para garantir a proteção contra o retorno da doença.

“Eu esperaria que, eventualmente, se pudermos administrar as células CAR-T mais cedo, os pacientes possam não precisar receber tanta quimioterapia ou radioterapia, o que resultaria em uma melhor qualidade de vida a longo prazo”, concluiu Helen Heslop.

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