Revolução tecnológica nas escolas brasileiras: Inteligência artificial promete inovação e desafios

O governo federal do Brasil está implementando um plano para integrar a inteligência artificial nas escolas até 2028, com o objetivo de modernizar a educação e enfrentar desafios como a evasão escolar. Estudantes e professores já estão utilizando a IA para melhorar o aprendizado, com resultados positivos observados em locais como Teresina, Piauí. Especialistas destacam a necessidade de regulamentações claras e formação adequada dos professores para garantir o uso responsável da tecnologia. A Unesco reconheceu o Piauí como pioneiro no ensino de IA na educação básica no continente americano.

Por Redação gl - Política
Atualizado em 03/02/2025 às 5:33 pm

Integração da Inteligência Artificial na Educação Brasileira: Metas e Avanços até 2028

O governo federal delineou um plano ambicioso com metas tecnológicas até 2028, conforme anunciado pelo ministro responsável, destacando que o esforço de adaptação já está em andamento.

Com a disseminação da inteligência artificial (IA), estudantes e educadores em todo o Brasil estão incorporando essa tecnologia em suas rotinas de estudo. Enquanto especialistas veem na IA uma grande oportunidade, há preocupações sobre o uso excessivo e a falta de regulamentações específicas.

Anael Victor Marinho, aluno de uma escola pública em Teresina, Piauí, considera a introdução da IA uma verdadeira revolução na educação. “Por exemplo, se tiver um texto, uma redação e eu colocar lá, ele aponta os erros e vai corrigindo. Ele dá exemplos de como eu posso melhorar e vai se adequando ao seu nível. Se você começa baixo, ele vai aumentando de pouco em pouco, e vai botando mais dificuldade para você aprender mais ainda”, explica o jovem de 16 anos.

Adaptação e Resultados Positivos

Aos poucos, Anael integrou a inteligência artificial em sua rotina de estudos e notou melhorias significativas. O professor David Abreu, que lecionava espanhol e agora também ensina sobre inteligência artificial, compartilha do mesmo entusiasmo. “É gratificante ver a empolgação dos alunos quando chega para dar aula”, afirma.

Oportunidades e Desafios

Embora a incorporação da IA nas escolas brasileiras represente uma oportunidade única de modernização do ensino, especialistas alertam para os riscos de uso descontrolado e a necessidade urgente de criar diretrizes claras para regulamentar essa tecnologia. A falta de regras pode levar a um uso inadequado da IA, comprometendo a qualidade do ensino e o desenvolvimento dos estudantes.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconheceu o estado do Piauí como o primeiro território do continente americano a implementar o ensino de inteligência artificial na educação básica. A disciplina é obrigatória para alunos do 9º ano do ensino fundamental e das três séries do ensino médio desde o início de 2024.

Para David Abreu, a disciplina atraiu os alunos para a sala de aula. “Uma ótica digitalizada faz com que os alunos vejam um leque de possibilidades na frente dele, no futuro deles daqui para frente. Isso puxa o aluno para a escola e devolve um profissional para o mundo”, comenta.

Evolução com Responsabilidade

Especialistas destacam que a IA pode oferecer um ensino personalizado, corrigir problemas crônicos da educação, como a evasão escolar, auxiliar na gestão das escolas e monitorar políticas públicas educacionais. No entanto, é fundamental garantir responsabilidade, formação adequada dos professores e ética no uso da tecnologia.

Claudia Costin, presidente do Instituto Salto e ex-diretora global de educação do Banco Mundial, enfatiza a importância de ensinar os alunos a usarem a IA para pesquisa sem perder sua autoria. “Para isso, os professores têm que ter condições de desenvolver sua competência digital para ensinar”, explica Claudia.

Paulo Blikstein, professor na Escola de Educação da Universidade de Stanford e co-fundador do Centro Lemann de Stanford, ressalta que revoluções na educação são complexas, mas possíveis com o controle adequado das ferramentas por parte dos professores. “Ela pode fazer muito pela educação, muito bem e muito mal. Ela pode fazer muito bem se quem tiver no controle dessas ferramentas de Inteligência Artificial serão os professores”, completa.

Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú, acredita que o Brasil está acompanhando a tendência mundial de experimentar o que está sendo feito em termos de IA na educação. “Quais as habilidades que a gente tem que endereçar, o que a gente tem que estimular que os nossos alunos têm? É uma habilidade central nesse novo mundo, é a habilidade da criatividade, outra do pensamento crítico, outra do modo de vida colaborativo. A gente precisa vencer isso aqui para que possa, de fato, ter o acesso qualificado à inteligência artificial”, explica Saron.

Plano do Governo Federal até 2028

Em agosto de 2024, o governo federal lançou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, com o objetivo de traçar metas para a implementação e eficiência do uso da IA no setor público.

O plano inclui seis propostas na área de educação:

  • Sistema Gestão Presente: já em uso parcial, apoia o Programa Pé-de-Meia, coletando dados de estudantes matriculados e frequência escolar.
  • Controle da Qualidade das Aquisições de Alimentos: ferramenta em fase de implementação que identifica padrões de compras de alimentos e auxilia na avaliação dos produtos oferecidos aos estudantes.
  • Sistema de Predição e Proteção de Trajetória dos Estudantes: diagnóstico para identificar e prever fatores que levam ao abandono escolar, ainda em fase de protótipo.
  • Soluções Adaptativas com IA Generativa de Avaliação Formativa e Diagnóstica para Alfabetização e Letramento e Sistemas de Tutoria Inteligentes de Matemática: projeto em elaboração para implementar a IA no aprendizado dos alunos.
  • Melhoria da Aprendizagem e Bem-Estar dos Estudantes: busca criar um ambiente de inovação contínua em sala de aula.

Segundo o Ministério da Educação, as propostas visam proporcionar ferramentas que capacitem gestores e professores, aprimorando o processo de ensino e aprendizagem.

Camilo Santana, ministro da Educação, destacou a necessidade de adaptação às novas tecnologias. “A gente precisa ter uma escola em que o aluno se levante de manhã quando acorda e tenha vontade de ir. Precisa ser acolhedora, ter uma boa infraestrutura, precisa ter esporte, precisa ter cultura e precisa estar conectada. A nossa luta é garantir que esse aluno tenha acesso para o bem, para boa formação e para boa aprendizagem”, afirma.

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