A partir deste sábado (1º), os Estados Unidos vão impor tarifas de 10% sobre importações da China, conforme anunciado pelo governo de Donald Trump. Essa medida faz parte das promessas de campanha do republicano, que já havia iniciado uma guerra comercial com a China durante seu primeiro mandato.
Analistas de mercado e associações acreditam que o Brasil pode se beneficiar dessa disputa. Durante a campanha, Trump prometeu tarifas de 60% ou mais sobre produtos chineses e de 10% a 20% sobre mercadorias de outros países. No entanto, a Casa Branca anunciou alíquotas menores para a China e uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Canadá e do México, que também entra em vigor neste sábado.
Impacto nas Exportações Brasileiras
Com o aumento das tarifas, as exportações de soja do Brasil para a China podem crescer. Durante o primeiro mandato de Trump, entre 2018 e 2019, a China aumentou suas compras de soja brasileira em resposta às barreiras tarifárias impostas pelos EUA. Em 2019, a China aplicou uma tarifa de 25% sobre a soja americana, o que beneficiou os produtores brasileiros.
Brasil e EUA são os maiores exportadores mundiais de soja, e os brasileiros são os principais fornecedores do grão para o mercado chinês. A soja é essencial para a alimentação dos rebanhos chineses, especialmente suínos, que são os maiores do mundo.
De acordo com a analista Rosa Wang, da JCI, exportadores dos EUA correram para enviar soja para a China no final do ano, temendo uma possível tensão comercial. Em outubro, as importações chinesas de soja aumentaram 56% em relação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando 8 milhões de toneladas.
Milho e Carne
As exportações de milho brasileiro também podem ser beneficiadas. Assim como no mercado de soja, Brasil e EUA competem nas vendas de milho. Em 2023, o Brasil superou os EUA como maior exportador do cereal.
O mercado de carnes do Brasil é outro setor que pode se beneficiar da nova guerra comercial entre chineses e americanos. A China é um dos maiores compradores mundiais de carne. “Os EUA são um competidor direto do Brasil no mercado de carnes. O Brasil lidera nas exportações de frango, enquanto os Estados Unidos são o segundo colocado. No caso da carne suína, quem lidera são os EUA, e o Brasil vem em terceiro”, explicou Fernando Henrique Iglesias, da consultoria Safras & Mercado.
“Na carne bovina, o Brasil é líder global, enquanto os EUA estão um pouco abaixo”, acrescentou Iglesias.
Possíveis Tarifas dos EUA ao Brasil
Logo após a eleição de Trump, analistas acreditavam que seria difícil para o presidente taxar a importação de produtos de primeira necessidade do Brasil, como o café, devido ao risco de aumento nos preços dos alimentos nos EUA. No entanto, em dezembro, Trump afirmou que o Brasil “cobra muito” pelos produtos vendidos aos americanos.
“Nós vamos tratar as pessoas de forma muito justa, mas a palavra ‘recíproco’ é importante”, disse Trump. “Se alguém nos cobra, vamos cobrar a mesma coisa.”
Na posse, Trump afirmou que o Brasil precisa dos EUA mais do que “precisamos deles”. Em resposta, o presidente Lula disse que, “se ele [Trump] taxar os produtos brasileiros, haverá reciprocidade no Brasil em taxar os produtos que são importados dos EUA”.
Além do café, outros itens agrícolas importantes para a exportação aos EUA incluem suco de laranja, carne bovina, produtos da cana-de-açúcar, couro e soja.
“Os Estados Unidos são o segundo maior comprador de carne bovina do Brasil, depois da China. Eles estão na pior posição do seu rebanho de bovino desde os anos 50. Então, eles não têm muito como abrir mão do Brasil neste momento”, disse Iglesias.
Para qualquer governo, a alta de preços dos alimentos é um assunto delicado. Por mais protecionista que Trump seja, ele não deve tomar medidas que custem caro ao seu governo.
A consultoria StoneX lembrou que, durante o primeiro governo Trump, produtos agrícolas do Brasil não foram taxados, ao contrário dos produtos industrializados. Em 2019, Trump impôs tarifas sobre o aço brasileiro.
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