Tensão na Alemanha Marca Último Dia de Campanha Eleitoral
Neste sábado (22), a Alemanha vivencia um clima de tensão no último dia de campanha antes das eleições gerais que ocorrerão neste domingo. Protestos, o crescimento da extrema direita e a influência dos Estados Unidos estão moldando esse cenário político crucial para a maior economia da União Europeia (UE).
Contexto Eleitoral
A oposição conservadora, representada pela União Democrata-Cristã (CDU) de Friedrich Merz, é apontada como favorita nas eleições, enquanto a extrema direita, liderada pelo partido Alternativa para a Alemanha (AfD), ocupa a segunda posição nas pesquisas de intenção de voto, com desempenho recorde. O partido do atual chanceler, Olaf Scholz, aparece em terceiro lugar.
Protestos e Influências Externas
Protestos pró e contra a AfD foram registrados na capital Berlim, especificamente em Hohenshoenhausen e no bairro de Mitte. Houve também manifestações em Hamburgo, onde a polícia estimou a participação de cerca de 80 mil pessoas em diferentes protestos. Em um dos protestos da AfD, a polícia utilizou canhões de água para controlar a situação.
Além disso, a influência dos Estados Unidos se mostrou significativa, com o vice-presidente JD Vance e o bilionário Elon Musk, aliado de Trump, manifestando apoio aberto à AfD. Vance fez um discurso anti-imigração na Conferência de Segurança em Munique, enquanto Musk participou virtualmente de comícios do partido.
Interferências e Desinformação
As pesquisas mais recentes indicam que o CDU deve obter cerca de 30% dos votos válidos, necessitando formar uma aliança com outros partidos para governar. Friedrich Merz descartou qualquer possibilidade de coalizão com a AfD, destacando divergências em políticas econômicas e de imigração.
A campanha eleitoral na Alemanha tem sido impactada por interferências de autoridades americanas e desinformação russa. Musk, em particular, foi acusado de espalhar desinformação durante a campanha e criticado por Olaf Scholz após um gesto nazista durante um discurso.
Tensão por Ataques Recentes
O clima de tensão aumentou ainda mais devido a ataques recentes no país. No início do mês, um afegão atropelou uma multidão em Munique, deixando dezenas de feridos. Na sexta-feira (21), um turista espanhol foi gravemente ferido em um ataque a faca no Memorial do Holocausto em Berlim, atribuído a um suspeito sírio de 19 anos com motivação religiosa.
Durante o último comício de campanha em Dortmund, Olaf Scholz reafirmou seu apoio à soberania da Ucrânia e defendeu a política alemã de liberdade de expressão, em resposta às críticas de Washington. O Partido Social-Democrata (SPD), de Scholz, enfrenta o risco de uma derrota histórica, com apenas 15% das intenções de voto.
O futuro chanceler alemão, segundo Friedrich Merz, deverá “retomar um papel de líder na Europa” diante dos desafios geopolíticos e da influência americana. As negociações para a formação do novo governo poderão durar semanas, especialmente se os pequenos partidos superarem a barreira de 5% e conseguirem representação no Bundestag.
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