Relatos de Agressão Policial Marcam Sábado de Carnaval em Várias Cidades
O sábado de Carnaval 2025 (1º) foi marcado por relatos de violência policial em meio às festividades. Ao menos quatro denúncias foram registradas, sendo três delas em Minas Gerais. Veja abaixo os detalhes dos incidentes e as declarações dos foliões e da Polícia Militar.
Professora Trans Agredida em Porto Alegre
Em Porto Alegre, uma professora trans relatou ter sido agredida por policiais militares sem provocação ou justificativa. Segundo a professora Luan Gonçalves da Cunha, ela estava em um bloco de Carnaval quando foi abordada e agredida fisicamente por policiais sem qualquer aviso ou diálogo. “Eu fiquei uns 4, 5 minutos apanhando, levando soco, levando chute, sem ter feito absolutamente nada. Eu tava gravando, e eles só se incomodaram com a minha presença,” contou Luan à RBS TV.
Vídeos do incidente mostram uma troca de agressões entre foliões e policiais. De acordo com os foliões, a ação policial foi desproporcional e injustificada. A Polícia Militar, por outro lado, declarou que a professora estava envolvida em uma situação de desordem e que a ação dos policiais foi uma resposta à resistência por parte dela e de outros foliões.
Spray de Pimenta em Juiz de Fora (MG)
Em Juiz de Fora (MG), foliões passaram mal após serem atingidos com spray de pimenta por policiais militares durante um bloco de Carnaval na Praça Antônio Carlos. Vídeos nas redes sociais mostram pessoas caídas no chão, recebendo ajuda de outros participantes do bloco Benemérita. A MC Xuxu, artista trans e uma das organizadoras do bloco, foi detida junto com um homem trans, de 31 anos, também organizador. Ambos foram liberados na madrugada do dia 2 de março.
A Prefeitura de Juiz de Fora criticou a ação policial, classificando-a como “violência desproporcional” e afirmou que muitas pessoas procuraram serviços de saúde devido ao uso do gás de pimenta. A Polícia Militar alegou que agiu diante da agressividade do grupo e que o uso de spray de pimenta foi necessário para conter o tumulto.
Indígenas Agredidos em Brumadinho (MG)
Em Brumadinho, Minas Gerais, cinco pessoas foram presas após uma confusão entre policiais militares e indígenas de aldeias locais em uma festa de Carnaval. As vítimas, das aldeias Pataxó Naô Xohã Arakuã e Katurãna, alegam que foram agredidas pela polícia sem qualquer motivo aparente. A Polícia Militar afirmou que as prisões foram realizadas para conter um grupo que estava causando desordem e colocando em risco a segurança dos demais foliões. Eles alegaram que a intervenção foi necessária para garantir a segurança pública.
Mulher Ferida por Bala de Borracha no Triângulo Mineiro
Em Capinópolis, no Triângulo Mineiro, uma mulher foi atingida no rosto por uma bala de borracha após shows de Carnaval no sábado (1º). A vítima relatou que foi surpreendida pela ação policial e não sabe qual foi o motivo. Segundo ela, a bala foi disparada enquanto ela estava afastada de uma confusão. A Polícia Militar alegou que a intervenção foi necessária para dispersar um grupo que estava se formando e que representava uma ameaça à ordem pública. Eles afirmaram que a utilização da bala de borracha seguiu os protocolos estabelecidos para a dispersão de multidões e que a mulher foi atingida acidentalmente.
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