Volatilidade do Dólar e Inflação Elevada nos EUA Impactam Mercado; Ibovespa Cai
Nesta quarta-feira (12), o dólar apresentou alta volatilidade, oscilando entre ganhos e perdas enquanto investidores digeriam os novos dados de inflação dos Estados Unidos, que vieram acima do esperado.
Inflação nos EUA e Reações do Mercado
De acordo com o Departamento do Comércio dos EUA, a inflação subiu 0,5% em janeiro, acumulando um aumento de 3,0% nos últimos 12 meses, superando as expectativas de 0,3% e 2,9%, respectivamente. Esse aumento afasta ainda mais a inflação da meta de 2% do Federal Reserve.
A política tarifária do presidente Donald Trump está elevando o custo dos produtos nos EUA, muitos dos quais dependem de matérias-primas importadas, exacerbando a pressão inflacionária. Esse cenário pode levar o Federal Reserve a aumentar as taxas de juros nos próximos meses, contribuindo para a valorização do dólar.
Desempenho do Dólar e Ibovespa
Às 14h40, o dólar registrava uma queda de 0,05%, sendo cotado a R$ 5,742. A moeda havia alcançado uma mínima de R$ 5,7511 e uma máxima de R$ 5,7877 durante o dia. No dia anterior, o dólar caiu 0,31%, fechando a R$ 5,7672. Com esses resultados, a moeda acumula uma queda de 0,45% na semana, 1,20% no mês e 6,68% no ano.
No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caía 1,63%, situando-se em 124.455 pontos. Na véspera, o índice havia subido 0,76%, fechando em 126.522 pontos. Com isso, o Ibovespa acumula um ganho de 1,53% na semana, 0,31% no mês e 5,19% no ano.
Impacto das Tarifas de Trump
Trump assinou um decreto impondo tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio a partir de 4 de março. Essas tarifas criam incertezas econômicas globais, afetando exportadores e pressionando os preços nos EUA. A preocupação com a inflação nos EUA pode atrasar a redução das taxas de juros, conforme destacado pelos dirigentes do Fed, que observam atentamente os desdobramentos econômicos e políticos.
Juros elevados nos EUA aumentam o rendimento dos títulos públicos, considerados os mais seguros do mundo, atraindo capital estrangeiro e fortalecendo o dólar. Isso também impacta a inflação global, pressionando os preços das commodities, como combustíveis e alimentos.
Situação Interna no Brasil
No Brasil, o destaque é o setor de serviços, que registrou a segunda queda consecutiva em dezembro de 2024, apesar de um crescimento anual. Rafael Perez, economista da Suno Research, atribui o avanço dos serviços em 2024 às condições favoráveis para a renda e o consumo das famílias, impulsionadas pelo mercado de trabalho aquecido.
No entanto, Perez observa sinais de desaceleração no setor, devido a dados fracos do mercado de trabalho e confiança do consumidor. Ele prevê que em 2025, os serviços serão mais impactados pelo ciclo de altas na Selic, atualmente em 13,25% ao ano, com expectativa de atingir 15% ao ano. Juros elevados encarecem o crédito, reduzindo a demanda por bens e serviços.
Além disso, espera-se um menor nível de estímulos fiscais pelo governo em 2025, tornando o cenário de consumo das famílias menos favorável.
Dados de Inflação
O IBGE divulgou que o IPCA, índice oficial de inflação do Brasil, subiu 0,16% em janeiro, a menor taxa para o mês desde o Plano Real. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulou uma alta de 4,56%, desacelerando em comparação a dezembro. A inflação de janeiro veio em linha com as expectativas do mercado, impulsionada pelos grupos de Transportes e Alimentação e bebidas.
A desaceleração do setor de serviços deve contribuir para uma redução mais expressiva da inflação no segundo semestre de 2025, segundo especialistas.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.